Duas histórias Zen

Na China, existiu um mestre Zen chamado Dori. Ele era conhecido por meditar empoleirado em um pinheiro e, por isso, foi carinhosamente apelidade de mestre Ninho de Passarinho. Um poeta foi visitá-lo para ver como ele meditava.”É melhor tomar cuidado, podes acabar caindo do pinheiro!”, gritou ou poeta.

“Ao contrário, tu é que corres perigo de um dia cair”, respondeu Dori.

O poeta refletiu e pensou que o mestre se referia ao fato de os poetas viverem dominados por paixões e sonhos delirantes.

“Qual a verdadeira essência do budismo?”, perguntou o poeta.

“Não fazer nada violento e praticar somente o que é justo e equilibrado”, respondeu Dori.

“Mas até uma criança de três anos sabe disso!”, exclamou o poeta.

“Sim, mas é algo difícil de ser praticado até mesmo por um velho de oitenta anos”, respondeu o mestre.

-oOo-

Havia em uma aldeia uma velha mulher conhecida por todos como a “mulher chorosa”. Esse apelido foi dado, pois todos os dias, com chuva ou com sol, ela estava sempre chorando.

A “mulher chorosa” costumava vender bolinhos de arroz na rua. Todos os dias um monge passava por ela a caminho da aldeia onde ia pedir esmolas. Um dia, ele resolveu parar para conversar.

“Todos os dias, faça sol ou faça chuva, vejo a senhora chorando. Por que isso acontece?”, perguntou o monge.

Então, ela explicou que tinha dois filhos artesãos. Um confeccionava delicadas sandálias e o outro, guarda-chuvas.

“Quando faz sol, me sinto aflita porque ninguém vai comprar os guarda-chuvas de meu filho e sua família pode passar necessidades. E quando chove, penso no meu filho que faz sandálias e tenho pena porque ninguém vai comprá-las. E ele também poderá ter dificuldades para sustentar sua família”, explicou a mulher chorosa.

O monge ficou pensando na história da mulher enquanto comia um bolinho de arroz. E achou graça.

“Mas a senhora deveria ver as coisas de outra forma. Quando o sol brilha, seu filho vai poder vender muitas sandálias, e isso é muito bom. Ele poderá guardar finheiro para os dias de chuva. E, quando chover, seu filho que faz guarda-chuvas venderá muitos guarda-chuvas, e isso é também muito bom”, disse o monge.

A velha olhou para o monge com um sorriso nos lábios. E, desde esse dia, passou sorrindo todos os dias da vida, chovendo ou fazendo sol. Depois de algum tempo, ninguém a chamava mais de “a mulher chorosa”.

Fonte: PACHECO, Bruno. Pocket Zen: 100 histórias budistas para meditar (prefácio de Hermógenes). Rio de Janeiro: Nova Era, 2004.

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