Existir

Por que o mundo existe?

Por que estou nele?

O que faço agora?

Quase todo mundo já deve ter feito estas perguntas. Talvez não haja perguntas mais necessárias e, ao mesmo tempo, mais terríveis, pela enormidade das conseqüências das respostas que venhamos a dar, se decidirmos ser fieis a elas. Não admira que enfrentá-las não seja fácil, e que hesitemos antes de tentar.

Mas estas são as verdadeiras perguntas da Esfinge. O mito diz que esse ser com corpo de leão e cabeça de mulher foi enviado por Hera à cidade de Tebas, e os viajantes que passavam por essa cidade corriam o risco de encontrá-la pelos caminhos, e serem obrigados a solucionar o enigma que ela lhes propusesse. Pela resposta incorreta, seriam estrangulados (sphingo, em grego, significa “estrangular”). Pela resposta correta, a Esfinge os recompensaria abandonando aquela região.

As perguntas sobre a existência e o que fazer dela são esfíngicas, porque não enfrentá-las significa tolher nossos próprios movimentos na vida: somos reduzidos à completa imobilidade pelo medo de nos depararmos com as muitas circunstâncias que nos exigirão o conhecimento de tais respostas. E também porque responder incorretamente a essas perguntas leva-nos a sucumbir, cedo ou tarde, diante da vida, asfixiados pelo rompimento de nossos vínculos com a vida real, substituídos por recursos vãos a uma falsa realidade, forjada sobre ilusões e mentiras as mais diversas.

Para encontrar as respostas verdadeiras a tais perguntas, e com isso encontrar a própria verdade, quanto a tudo que existe, quanto si mesmo, e quanto ao papel de si dentro desse universo, há tanto que se precisa pensar, considerar e sentir… Há tanto a descobrir, à nossa volta e dentro de nós mesmos… Precisa-se, não raro, de tanta ajuda alheia…

Mas é um desafio digno, com um propósito belíssimo e justo. O único, talvez, pelo qual valha trocar o tempo de agir, fazendo coisas boas, pelo tempo de pensar e refletir.

Espero ter a felicidade de poder escrever algo mais, e que tenha algo de bom, sobre esse belo tema, no futuro.

Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der. (Carl Gustav Jung) (fonte)

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One Response to Existir

  1. Anadri says:

    eu tenho medo de ficar parada pelo medo. sabe?

    Resposta d’O Impressionista

    Sei. Já senti muito medo na vida e ainda sinto. Mas aprendi algumas coisas:
    – há fantasmas que nos assombram, mas eles só existem enquanto acreditamos neles;
    – há coisas reais que nos assustam, mas pensar demais nelas não aumenta nem diminui a possibilidade de sermos afetados por elas;
    – há pessoas que nos assustam, mas muitas vezes elas têm ainda mais medo de nós do que nós delas;
    – há coisas em nós mesmos que nos assustam, e preferimos ignorá-las, enquanto ficamos sendo o que achamos que devíamos ser em vez de nos tornarmos o que realmente somos.
    O medo é um sentimento, e ele tem uma razão de existir, que é a autopreservação; por isso nossa natureza não nos deixa livrarmo-nos dele enquanto não pudermos arranjar um sentimento melhor para por no lugar: um que nos dê uma perspectiva de poder seguir nosso caminho sem o risco de se auto-destruir.
    Nõa há uma solução fácil nem uma regra mágica para lidar com o medo. Posso dizer que me foram de muita ajuda a reflexão, o autoconhecimento, e até alguns sofrimentos que não pude evitar… Enquanto me recuperava das feridas, pude “sentir” melhor a integridade de que sou feito, e pôr cada parte em seu devido lugar.
    Muita paz pra você! Obrigado por escrever…

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