Um bonito poema

Vaidade (Florbela Espanca)

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo…
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho…

E não sou nada!…

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4 Responses to Um bonito poema

  1. Putz, eu hoje (?) estou ranheta. Rabujenta.( Pode por pra correr…com clareza pois sou lenta para entender)
    Se é para acordar como nada, melhor seria permanecer sonhando…E é assim que vou seguindo, como muito que sei que sou ( apesar de saber muito do que não sou), acabo preferindoWaltWhitmann
    http://www.gargantadaserpente.com/toca/poetas/walt.php?poema=1

    Resposta d’O Impressionista: E quem não esteve, está e estará (ranheta)? Eu, dia-sim-dia-não. Florbela Espanca sonhou que era tudo (de bom) e acordou descobrindo que não era (nada disso). Walt Whitman existe como é, e rende homenagens a tudo (bom ou ruim). É o que é, quando é com o todo. E ser tudo assim é a única forma de ser tudo. E ser tudo assim, e ser nada, são ambos bons, ambos o mesmo. Ninguém é em si, ninguém escolhe em si o que de ser. Todos são, mas somente o que são juntos. Para o bem e para o mal.

  2. Tentei réplica no outro assunto e não consgui. Vamos ver se esta pagina me aceita.
    Na verdade queria contar algo que aconteceu comigo nos anos 70 – não sei se ja havia contado; as vezes a memória me trai- espero que não seja o tal do alemão, apenas HD muito carregado, pesado, lento, travando, como diz um de meus filhos.
    Eu, para ir a uma das aulas da faculdade precisava atravessar a Av Brasil na altura do Caju. E aquela figura, barbada, pregando gentileza, abominava certas vestimentas femininas, especificamente , no meu caso, roupas coloridas e eu era adepta das indumentarias hippies ( bem como da ideologia). No caso de outras mulheres,eram ou decotes ou mini-saias, note, anos 70. E ele, o Gentileza, corria, agitando aquele cajado e gritando impropérios, nos ameaçando com danação eterna,especificando -voce, da calça vermelha- e muitas vezes era tão convincente que preferiamos correr entre os carros do que arriscarmo-nos a uma bordoada. Nada gentil…E hoje, apenas alguns aspectos do que foi são valorizados. Somos todos assim. Contradição. Ainda bem, senão seriamos todos uns chatos e a vida totalmente…chata.

    Resposta d’O Impressionista: Para você ver que até mesmo Gentileza achava o seu inferno nos outros… Brincadeira!!! Sim, eu acredito. Apenas um ser humano, cheio de contradições. Eu – que nem carioca sou – um dia vi uma reportagem sobre ele na televisão e estava tão carente daquela mensagem que reuni o que pude encontrar na internet para fazer um anexo no meu blog – que então estava bem no comecinho. É uma homenagem à mensagem, e uma tentativa de multiplicar um pouquinho o bem que ela pode fazer. Quanto ao seu complicado autor, é apenas uma pessoa. Muito pertinente sua observação de que, como qualquer pessoa, pode contradizer-se. Não há que mistificá-lo.

  3. Porem é necessario mesmo valorizar a beleza de sua mensagem. Quantos grandes pensadores não foram incoerentes na experiência de vida e no que nos legaram por palavras. Bom ser “demasiado humanos”. E bom voce ter feito o resgate do que é bom no Gentileza.

  4. Eduardo says:

    Nuss… Eu tava procurando um poema bonito e não a desgraça do universo!!! Nota 0,0!!!
    Esse poema ta + pra uma piada
    vc tem razão tu num é nada msm!

    Resposta d’O Impressionista: Então, Eduardo, a beleza desse poema está nos olhos de quem o lê e se sente aliviado por não ser nada, por não precisar ser tudo, por não precisar ter “a inspiração pura e perfeita que reúne num verso a imensidade”, nem ser obrigado a por nas palavras “claridade para encher todo o mundo”, nem ter a responsabilidade de deleitar “mesmo aqueles que morrem de saudade”, “mesmo os de alma profunda e insatisfeita!” (e são tantos neste mundo). É um alívio dar-se conta que não se é “Alguém cá neste mundo…”, que não se tem “saber vasto e profundo”, que a terra não se curva sob seus pés, com tanto peso de tanto saber e talento. E se Florbela Espanca, a grande poetisa que escreveu esse poema, era nada, eu sou alguma coisa bem menos que nada. Por isso, se você tem a piedade de tentar se comunicar com menos que nada, tenha também a piedade de não se zangar comigo… Pois para isso você precisaria saber tudo o que eu, menos que nada, não sei. E sabendo tudo isso, com certeza sua vida seria muito sofrida, pois saber é sofrer, e não pouco. Abração…

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