Festas…

Pensava em escrever uma mensagem de “boas festas”, já começando amargurada por essa expressão, acomodatícia à variedade das comemorações decorrentes das várias religiões que não professo (cristianismo, judaísmo, capitalismo, etc.). Mas a amiga Srª Dª Urtigão foi muito além, questionando a razão da festa. Ela tem razão. Quisera ter pensado desde o início o que ela teve a lucidez de escrever:

Lá vou eu de novo pedindo desculpas…
Mas é que não sei desejar um tal de feliznatal. Tenho ENORME dificuldade em lidar com esta festa onde uns poucos criam um mundo fora do mundo real, onde gasta-se fortunas para presentear e alegrar aos queridos, os próximos, parentes, amigos, quando próximo deveria ser toda uma humanidade, que veem nesta data intensificadas suas dores e frustrações por não terem sua vida aos moldes do que as mídias proclamam como deve ser o natal ( com minúscula, mesmo, para mim ). Como desejar a alguns feliznatal se não tenho como faze-lo a todos ? Como me alegrar em compras de dádivas supérfluas aos meus que ja têm tanto quando tantos nada tem. Como ficar feliz em um dia pré determinado, sabendo que neste dia ainda há os que choram de fome e morrem da fome e de suas consequencias. Que idosos (ou nem tanto) choram de solidão, sem parentes ou com parentes negligentes. Que familias divididas por guerras ou pela maldade – o que vem a ser quase a mesma coisa, já não tem mais esperanças, ou muito pouco resta dela.
Ficar feliz com presentes recebidos e dados em uma data marcada, sabendo que tantos desejariam tambem alguma coisa inatingível por si e que na maioria das vezes é tão simples para outros. E não me venham com essas pseudo filantropias de apaziguar consciencia pesada, afirmando que doaram roupas e brinquedos, usados quase sempre, restos de sua própria festa constante.
Na minha vida, venho fugindo desta festa, trabalhando quando posso e minha condição permite, esquivando-me daqueles montes de presentes, pois antecipo os meus para momentos em que quero ou encontro o que dar a cada um daqui, e muitas vezes não dando nada mesmo, deixando “vales” que valem algo para quando o “presenteado” necessitar de alguma coisa, material ou não. Meus presentes favoritos são e foram aquelas coisas que irão facilitar a vida em dado momento dificil.
Então, meus amigos, não se aborreçam, mas não desejo ou retribuo votos de feliznatal. Desejo sim que em cada dia e em todos os dias de cada vida todos os olhares e ações se façam por algum bem a alguem.

Faço destes meus próprios votos para um ano novo mais lúcido, mais sensato e sensível, universalmente humano.

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