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4 comentários sobre “Amar o Amor – Isso melhora (dos empregados do estúdio Pixar)

  1. Uma boa iniciativa, sem dúvida.
    Não posso ir alem de imaginar como são essas dificuldades por se ser gay, mas os problemas apontados; exclusão, carência, inadaptação, falta de um amor sincero, não são prerrogativas do ” universo” gay, mas tanta outras categoria passam por situações semelhantes; os feios, os portadores de alguma defici~encia física ou mental, os tímidos, os nerds. Pelo menos os que se organizam encontram forças para sair do atoleiro.
    Um grande abraço.

    1. O que vou dizer não tem o intuito de fazer o papel da “vítima”, mas de chamar a atenção justamente para a gravidade de um problema que a maioria das pessoas ignora, e que, envolvendo direitos humanos, é um problema de todos. Então, seguem algumas coisas ruins que não acontecem (ou pelo menos acontecem muito mais raramente) em relação às outras categorias que você citou:
      – Pessoas tentam te bater;
      – Pessoas tentam te matar;
      – Pessoas dizem que você mereceu quando você fica doente ou morre;
      – Familiares tentam te bater;
      – Familiares tentam te pôr pra fora de casa;
      – Familiares não tentam te matar, mas dizem que preferiam que você não tivesse nascido;
      – Familiares tentam fingir que você não existe ou já morreu;
      – Religiões tentam te mudar;
      – Religiões tentam te convencer de que seu lugar é no inferno;
      – Religiões tentam convencer os outros a te mandar para lá;
      – Países tentam te prender;
      – Países tentam te matar;
      – Países te negam deliberadamente direitos que dão a todos os outros;
      – Países perguntam a todos os outros o que eles acham sobre te dar direitos que só afetam a você.
      E por aí vai.
      O que é preciso ficar claro é que este é o último grande “apartheid” do mundo civilizado, a última grande discriminação que muitas pessoas, em qualquer lugar do mundo onde se procure, não terão vergonha de admitir que endossam – pelo contrário, muitas terão até orgulho. Até quando isto continuará assim?

  2. Olá !
    Ando tão perdida na minha desorientação que nem voltei aqui, mas vou tentar:
    Voce quer dizer que no caso dos homossexuais TODAS essas coisas acontecem frequentemente? É isso ? Porque uma grande parte delas aconteceu/acontecia e acontece , por exemplo, com os índios ( de diversos países ) , os negros (em diversos países), doentes mentais ou portadores de certos estigmas, os ciganos, os praticantes de religiões diversas.
    Não me entenda mal, não estou minimizando a questão, talvez minha dúvida esteja apontando no sentido da esperança, que lutas semelhantes vem sendo travadas há séculos, que alguns (poucos ) resultados positivos nestas outras categorias vem sendo obtidos…(Ah! Ia esquecendo: as mulheres… )

    1. Que posso dizer? Acontecem, sim, numa ampla gama de gravidade dependendo do país, da cidade e da família em que se está. Acho que há duas peculiaridades a considerar:
      a) o sujeito não nasce com uma etiqueta escrito “gay”, de modo que sua família, ou quem o cria, não sabe, não tem motivo pra pensar sobre o assunto, não conta nada pra ele(a), e ele(a) mesmo leva um bom tempo – que varia aí digamos mais ou menos entre 7 e 70 anos – para se dar conta do fato. Assim, cresce-se ouvindo, assimilando e desenvolvendo todos os preconceitos das pessoas à sua volta, até um ponto onde eles freqüentemente se voltam contra a pessoa, ameaçando enlouquecê-la. Isto não acontece com os outros tipos de discriminação, porque o fator que os motiva ou é evidente desde o nascimento, ou é compartilhado pela família ou grupo social, sendo freqüente a ocorrência de ambas as coisas.
      b) embora eu conceda que a maior parte das pessoas cultas e conscientes já abominem este preconceito (aliás, meu crivo pessoal da cultura e consciência alheia exige esta condição), o mesmo não acontece com as sociedades e leis – mesmo considerando países ditos “avançados”. Nos demais casos, embora sempre vá existir pessoas ignorantes e boçais que julgam os outros pela etnia, pela cor da pele, etc., na maior parte das sociedades civilizadas as pessoas não são livres para praticar essas discriminações. Enfim, para encurtar: talvez o preconceito homofóbico não seja o causador da maior tragédia humana universal, mas é aquele mais escandalosamente negligenciado pelas leis e autoridades que, de outro modo, empenham-se (ou dizem empenhar-se) contra as demais espécies de discriminação. Isto contribui para uma sensação generalizada de solidão e abandono de quem é vítima desta discriminação em especial.

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