Três vezes Bobagem

Tenho recebido e-mails e presenciado conversas execrando o programa Big Brother Brasil, seu conteúdo, seu apresentador, seus participantes. Minhas impressões pessoais me levam até a concordar, em linhas gerais, com as críticas. Mas percebo que os detratores, em geral, parecem saber tudo sobre o programa.
É surpreendente que as pessoas ainda não tenham compreendido que, nas sociedades modernas que funcionam com base nessa espécie de “democracia eletrônica de massa”, o único poder ainda nas mãos dos indivíduos é o de administrar a própria ignorância. Explicando melhor: optar por não saber é só o que resta a cada um.
Assim, se não suporto o programa, meu dever de coerência e consciência consiste em decidir ignorá-lo. E ignorá-lo não implica apenas não assisti-lo: obriga-nos a abster-nos de ler notícias, críticas, ensaios, paródias, etc. A interdição a uma temática precisa abranger toda sua metalinguagem, ou de nada serve (até por isso são horríveis as ditaduras porque pretendem interditar aspectos tão vastos da vida das pessoas que quase nada resta e tudo é suspeito de violar as interdições).
Em resumo, e para não ir muito longe: quem não gosta do BBB deve não apenas não assisti-lo, como deliberadamente ignorar tudo que lhe diga respeito. Até porque tudo é controlado: não apenas a audiência do programa como também os acessos de internet às páginas que se referem a ele. De modo que se um número suficiente de pessoas tomar esta decisão e agir de acordo com ela, pode até ser que o programa saia do ar, pela perda de eficácia da publicidade que o patrocina.
Por outro lado, as pessoas não devem se iludir. Mesmo que todas as pessoas que não apreciam o programa decidissem imediatamente fazer isto da forma mais radical, isso não implicaria necessariamente no fim do programa; sempre pode ser que sejam uma minoria, e que o restante das pessoas que consomem a publicidade patrocinante seja suficiente para justificar sua manutenção.
Aliás, se eu precisasse arriscar um palpite, diria que é assim. De modo que os que não gostam do programa seriam (ou serão) obrigados a abster-se indefinidamente do contato com esse material. Mas já que dizem que não gostam, isso deveria ser fácil, não é?

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One Response to Três vezes Bobagem

  1. Sra Urtigão says:

    Nada a comentar, só concordar.

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