Pelo povo japonês, pela superação, pelo apaziguamento, pela recuperação. Pelo fim do pesadelo em Fukushima. Por quem se foi e por quem ficou.

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4 comentários sobre “Pelo Japão

  1. Sei que todos voces estão certos, que uma geração não deve pagar por outra, que pessoas não tem culpas pelas ações de outras. Mas algo em mmim faz com que a compaixão tenha que ser elaborada racionalmente, penso nas baleias, penso nas bombas biológicas lançadas sobre povoados chineses na 2ª guerra e está dificil. Sinto-me envergonhada por isso ? É lógico e tenho por hábito expor minhas vergonhas. Talvez com as crostas e cicatrizes de meus ferimentos tenha perdido a sensibilidade e a capacidade – que outrora era grande, imensa até – de compadecer-me, exceto por crianças e animais – e destes enquanto não tenho certeza de que reencarnação é fato e estamos onde precisamos ou escolhemos.
    Das lições dos grandes mestres da humanidade, da espiritualidade ? Cada vez prendo-me mais ao conceito da não-ação, de Lao Tse, mesmo que interpretando ao meu pobre e mesquinho modo.
    ( Apaguei a continuação. De comentario com justificativa ia se tornando confessionario)
    Um abraço

    1. Sabe, também tenho pensado nessas coisas desde o terremoto. Quem sou eu para afirmar ou negar a existência de um carma coletivo a resgatar? O pensar sobre tais coisas esbarra, mesmo, em tais dúvidas. Que o digam Voltaire e Rousseau. Recorro à compaixão, nesse caso. Sei que minha compaixão não é universal, como perfeito eu também não sou. Porém, a delicadeza da cultura japonesa sempre me encantou. Faz-me ver as mazelas como aberrações, de que eu espero que esse povo, assim como da destruição, também se recupere em um dia não muito distante.
      No mais, sinta-se livre para confessar aqui o que quiser, se quiser. Se não por outro motivo, então porque é bem mais seguro do que ficar a sós com um padre.

    1. De nenhum, ou melhor, de ambos. Compaixão não implica julgamento. Julgamento é uma abstração criada à sombra do discernimento humano, ao construir os conceitos de certo ou de errado. Presa e predador estão cosmicamente vinculados pela natureza. O discernimento humano permite transcender tal vínculo, em parte. O ser humano – e somente ele – pode escolher não predar. Pode planejar sua existência, para além dos instintos, unindo razão e compaixão. Se não o faz, permanece vinculado à natureza animal, e de predador pode tornar-se presa em instantes. Mas mesmo que o faça, a transcendência se fará dentro dele, e será sentida por ele, não modificando o resto do Universo, exceto na medida em que as ações diversas tomadas por aquele que se transcende ensejarão reações diversas igualmente. Para o bem e para o mal, porque o ser humano pode transcender sua animalidade tanto em direção à compaixão como em direção à perversidade. Mas uma e outra estao, se estiverem, dentro dele. Fora dele, de qualquer forma, não há julgamento, apenas natureza.

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