Ele não pode fazer nada. E você?

Jovem comete suícidio após assumir homossexualidade no Youtube

Por Redação em 21/09/2011 às 14h27

Jovem comete suícidio após assumir homossexualidade no Youtube

Jamey Rodemeyer, de 14 anos, é a mais nova vítima do bullying cometido contra adolescentes nos Estados Unidos. O garoto, que assumiu sua homossexualidade em um vídeo postado no YouTube, foi encontrado morto do lado de fora de sua casa, após cometer suicídio.

Rodemeyer mantinha um blog na internet onde relatava as frequentes humilhações que sofria no ambiente escolar. “Ninguém na minha escola procura prevenir suicídios, enquanto vocês me xingam e me fazem chorar”. O jovem chegou ainda questionar o por quê ninguém dava importância ao seu sofrimento. “Eu sempre digo o quanto sofro bullying, mas ninguém escuta. O que eu tenho que fazer para que me escutem?”.

Fã de Lady Gaga, Rodemeyer também escreveu em seu blog um agradecimento à sua diva. Nesse mesmo texto, o garoto manifestou uma vontade de encontrar sua avó, morta recentemente.

Apesar do fim trágico, Jamey Rodemeyer chegou a deixar um vídeo no YouTube no qual acreditava que tudo poderia melhorar. “Meu conselho a vocês é o seguinte: Mantenha a cabeça erguida que você chega longe”, disse o jovem.

A mãe do Jamey, Tracy Rodemeyer, declarou em entrevista ao Huffington Post que sua perda possa servir com uma mensagem de tolerância, a qual seu filho não teve tempo de ouvir.

Polícia de Nova York classifica suicídio de jovem gay como “crime de ódio”

Por Redação em 23/09/2011 às 17h41

Polícia de Nova York classifica suicídio de jovem gay como "crime de ódio"

A Polícia de Nova York vai indiciar três alunos devido ao suicídio de Jamey Rodemeyer, 14, que foi encontrado morto no último domingo (18). A Polícia declarou que está investigando as mensagens deixadas nos perfis de Jamey em redes sociais que o incentivavam ao suicídio por conta de sua orientação sexual.

A Especial Victim Units, departamento da Policia norte-americana que cuida de crimes ligados ao gênero, disse que já identificou três estudantes que deixavam constantemente recados para Rodemeyer. “Nós conversamos com alguns colegas de Jamey e eles nos revelaram que havia um grupo de alunos que perseguia ele por algum tempo. Estes estudantes serão indiciados por crime de ódio e perseguição”, declarou John C. Askey, chefe Especial Victim Units.

“Agora estamos estudando o cotidiano de Jamey para descobrir todas as motivações do crime. Vamos conversar com funcionários da escola, estudantes e qualquer pessoa que tenha informações relevantes sobre o crime cometido contra este jovem”, completou Askey. A Polícia ainda não revelou a maneira como Jamey se matou.

O estudante de 14 anos era perseguido em sua escola desde quando assumiu sua homossexualidade. Jamey Rodemeyer postava vídeos no YouTube onde relatava as constantes violências estudantis que sofria no colégio. “Eu sempre digo as pessoas como sou intimidado, mas ninguém me escuta. O que eu tenho que fazer para que as pessoas me escutem?”, questionava em um dos vídeos.

Fonte das notícias: http://acapa.co/?n=14805, http://acapa.co/?n=14829

Fique em paz, Jamey. Não havia nada que você pudesse fazer. As pessoas não escutam. As pessoas falam, insultam. Algumas. As outras riem, se divertem, acham graça. A maior parte delas. E o resto se cala, inventa desculpas, esconde-se atrás de medos. Solenemente aquiescem, anuem, endossam, estes últimos, sem sorriso, o escárnio alheio (fingindo que não, que basta não sorrir para não participar) Enganam-se. E aos outros.

As pessoas são más. Tanto as que insultam, quanto as que acham graça, quanto as que se omitem. Cada uma delas é má à sua maneira, com uma maldade diferente. E cada maldade é uma peça dessa monstruosa máquina de matar pessoas inocentes, como você. Como eu.

Oh, eu ainda estou aqui. Mas é porque fui mau à minha maneira. Menti pra mim mesmo, me enganei. E aos outros. Por anos… Tempo suficiente para fingir ser o que eu não era, até não ter mais tempo para ser o que deveria ter sido, desde o início. Até sobrar apenas tempo para não morrer mentindo.

Depois, o quê? Sim, a vida foi boa e generosa comigo. Ao reencontrar-me com a verdade, fui premiado com coisas e pessoas boas e verdadeiras. E que terminaram de me ensinar a verdade – que a mentira é um vício duro de perder.

Quase não acredito que mereço tudo de bom que me aconteceu desde então. Quase não consigo ser contente por me haver, covardemente, esquivado da verdade que, num e noutro momento, quase me convenceu a deixar a companhia das pessoas que, de verdade, não gostavam de mim. E como poderiam? Eu não estava lá. Eu não estava, a bem da verdade, em lugar algum. A muito custo estava dentro de mim mesmo. Num labirinto de altas paredes. Les hauts murs. Filme, aliás, que não consegui terminar de ver. Referia, por demais, a fantasia-pesadelo em que eu vivia, sem querer, sem saber.

Claro que, como bom ser humano, e assim co’a hipocrisia pespontada no próprio DNA do início ao fim dos tempos, eu prefiro não pensar nisso a maior parte do tempo. Prefiro lidar com a vida do jeito que veio, do jeito que vem, do jeito que é. Prefiro pensar no que tem de bom para fingir que compensa o que tem de ruim. Prefiro relativizar princípios e simplesmente me contentar em estar onde estou, já que ser o que sou exigiria de mim forças e coragens que acho que não tenho – pelo menos não as encontro em mim.

Justo eu, que sempre achei bonito ter princípios radicais, envolver-me, com intensidade, idealismo e autenticidade com eles. Pobre palhaço. Não é à toa que a verdade me desmascarou dolorosamente num dado momento, onde eu achava que exercitava esses princípios idealistas e na verdade me prestava de inocente-útil para pessoas hipócritas defenderem suas ideologias canhestras.

É, se eu fizesse, se eu tivesse feito, pra valer, em profundidade, isso que achava tão bonito, essa busca radical de fidelidade a princípios, bom, eu não teria nem mesmo chegado vivo ao instante em que estou escrevendo isto. Não. Eu contemporizei, tergiversei e, sobretudo, fugi. Pra longe, pra dentro. Pra qualquer lugar.

E aqui estou. Vivo minha vida. Nela, tenho meu Amor. Dela, do que pude fazer, é reconfortante pensar que fiz o melhor que pude, e do que pude receber, é gratificante pensar que foi muito.

Mas sim me assombra, sombreia-me esse pensamento, o de que o princípio, mesmo, a Regra, que para mim sempre foi dar as costas a quem não me preza, se eu o tivesse seguido fielmente, talvez me levasse a ter dado as costas a todos, à própria vida, quando tudo parecia torto e quem pensava prezar-me prezava a quem eu não era, e outro eu era, preso e oculto e desconhecido. E desse, ninguém parecia gostar. E para ele a vida não parecia ter lugar.

Por isso, Jamey, quando vejo o que você fez, eu baixo os olhos. Ninguém pode te culpar. E eu, enfim, sinto tristeza, vergonha, embaraço profundo… inveja? admiração? Talvez, porque se eu tivesse feito o mesmo, pessoas teriam experimentado sofrimento, e esse sofrimento teria sido uma forma de entenderem o que eu não tinha, então, nenhuma coragem de expressar.

Eu não fiz isso. Deixei que a vida me endurecesse até eu ter coragem de tentar usar palavras para me expressar. E o fiz. Mas por quê, meu Deus, não consigo deixar de pensar que até agora não fui completamente compreendido. Tentando finalmente, depois de quase-velho, ser eu mesmo, ainda esbarro em ceticismo e reservas. Será que as pessoas só entendem quando é tarde demais?

Minha vergonha, Jamey, enfim, é não saber responder sua pergunta. Então somente a repito, com minha própria voz: “O que eu tenho que fazer para que as pessoas me escutem?”

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4 Responses to Ele não pode fazer nada. E você?

  1. tania says:

    ” Será que as pessoas só entendem quando é tarde demais ?”

    Puxa ! Será ?

    Humanos, demasiado..
    A condição humana é tão mesquinha.
    .
    O que deve ser feito para que pessoas escutem pessoas e não ouçam apenas o eco de suas vozes ?
    passo a minha vida, já agora ” quase velha” a tentar entender esses mistérios do comportamento autocentrado e autorrefletido da humanidade. Isolando-me de pessoas, porque intolerantes com qualquer pequena diferença, trazendo criticas exacerbadas e pseudo soluções para as vidas alheias, o contato me é muito difícil, fora dos personagens que usei para o trabalho, família…. Não imagino, ao menos, o quanto seja difícil para outras pessoas com outras lutas a vencer…
    Mas vejo que pequenas frestas se abrem para a clareza e tolerância. Tenho visto, da janela, movimentos que apontam para possibilidades melhores do viver.
    E cada vez mais me convenço que a vida não é só o que percebemos com nossos olhos e mentes da matéria, que algum mistério a ser desvelado traz as respostas que não encontrei, mas não desisti de buscar, e penso nas possibilidades do Carma, da luta sem gloria aparente que enfim nos irá aproximar de pessoas, não iguais, mas com dessemelhanças e tolerância compatíveis.

  2. tania says:

    KKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!! E meu comentário saiu sem a máscara que uso ? estranho… A Rede me expondo, sem meu consentimento ? Sinal de mudanças… Eu que não acredito em coincidencias…

  3. amanda paula tempass says:

    Isso chama-se imaturidade por parte dos pais dos jovens que intimidavam Jamey, não sabem criar os filhos com o devido respeito pelas suas diferenças, é certo que acabaria nessa tragédia.Eu também sou gay porém não sou assumida para a família,apenas para algumas amigas e professoras da escola onde estudo,espero que toda essa falta de vergonha na cara acabe um dia.O Brasil só é bom em termos de futebol, carnaval e cerveja, o resto não interessa.Mando toda força possível a família desse garoto,estejam com DEUS.PAZ e Amor em primeiro lugar…BJOSSS.

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