Esclarecimentos para o momento

Como já mencionei em post anterior, procuro escrever aqui sempre que tenho condições, um “sempre” que tem equivalido a “quase nunca”. Tento compensar com citações de material de outras fontes, as quais, por sua vez, têm sido bastante monotemáticas nos últimos tempos.

Isto, claro, nos momentos que restam após a rapina que o trabalho, e o cansaço físico e psíquico que ele  impõe, fazem sobre o tempo hábil para refletir e articular meus objetos de interesse, reflexão e preocupação, dos quais a defesa dos direitos humanos dos homossexuais está longe de ser o único.

Não deixa de ser, contudo, um dos mais importantes para mim. Embora seja justo mencionar que tenho interesse prático e pessoal na questão, essa importância poderia, perfeita e legitimamente, dever-se apenas ao fato de se tratar de condições essenciais fundamentais para a vida digna de qualquer pessoa em sociedade que se pretenda civilizada, envolvendo a Segurança, o Respeito e o Tratamento Igualitário a que todos têm (ou deveriam ter) indiscutível direito, e de haver razões para crer que há grandes ameaças a tais valores em nossa sociedade excessivamente imperfeita.

Tanto mais convicção disso tenho ao perceber que, após postar um número considerável de citações de material sobre o tema, este despretensioso blog passou a receber uma carga, felizmente esporádica, de comentários contendo tanto ofensas quanto pregações religiosas não solicitadas (freqüentemente, ambas as coisas no mesmo texto, o que é, no mínimo, curioso em face do aspecto soi disant caridoso de quem professa tais credos).

A parte boa é que os leitores do blog nunca verão tais comentários, e como há meios para excluí-los automaticamente – viva a inteligência artificial dos programas de computador! – também eu não os verei mais. Fica, assim, o convite aos candidatos a perpetradores de similares ruídos que melhor empreguem seu tempo tentando achar algo de bom para dizerem a alguém de quem gostem. Embora possa não ser fácil achar tais coisas boas, ou  a quem dizê-las, quando se passa o tempo com coração cheio de sentimentos negativos, eu faço sinceros voto de que todos tenham sucesso!

No mais, nestas semanas em que o capitalismo mundial parece mais próximo do que nunca de fazer água (o que seria ótimo se houvesse algo em vista para pôr no lugar dele), em meio a novas e preocupantes ameaças de guerra no Oriente Médio, minha impressão é que é melhor simplesmente ficar em silêncio e silenciosamente fazer nossa parte, por pequena que seja, e meditar, orar, ou simplesmente desejar que as coisas caminhem de modo a que todos no mundo tenham, tanto quanto possível, acesso aos meios adequados para viver em Paz.

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2 Responses to Esclarecimentos para o momento

  1. Desnecessário teu parêntesis no comentário sobre o capitalismo estar a fazer água… não há necessidade de se colocar nada (um sistema) em seu lugar… é essencial, no entanto, estarmos sempre buscando algo melhor do que o (sistema) que tivermos achado, e jogar fora sempre o que já temos para não entronizar um sistema qualquer e transformá-lo em novo algoz. viva a anarquia!

    • Não sei… Meu conceito da humanidade não é tão bom a ponto de permitir-me acreditar na proposta anarquista. Acho que aquele “par ideal” de sistemas político e econômico, isto é, a democracia representativa capitalista, naufraga menos por princípio do que por perda de foco.
      Veja como a sobreposição e multiplicação de instâncias normativas, executivas e de controle torna incompreensível e inacessível aos cidadãos tanto saber o que exatamente se passa no governo de seu país/estado/cidade quanto, e menos ainda, interferir ou influenciar esse governo.
      Da mesma forma, a pletora de mecanismos de negociação econômica (mercados futuros, títulos, opções, derivativos, etc.) torna incompreensível e inacessível aos cidadãos tanto saber o que exatamente se passa no mercado quanto, e menos ainda, prever quanto valerá, amanhã, sua casa, seu trabalho, seu salário e seu dinheiro.
      Pior, o aumento da complexidade do sistema econômico incentiva o inchaço e a diversificação da burocracia estatal, e vice-versa, já que, a cada novo mecanismo de controle público, a iniciativa privada responde com iniciativas para o contornar.
      Estado e Mercado são, hoje, Dédalo e Minotauro recíprocos. Cada qual procura enredar o outro em meandros que o controlem e restrinjam. A nós tem cabido apenas carregar as pedras para erigir esses labirintos intermináveis, enquanto tentamos evitar sermos devorados por um ou por outro. E cada vez menos esperançosos de achar a saída, depois.

Há espaço para comentários, que só são publicados após dupla moderação, automática e manual. Mensagens ofensivas ou sectárias serão eliminadas automaticamente pelo software, e provavelmente ninguém jamais as lerá, por isso o tempo de escrevê-las é perdido desde o início.

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