Afinal, o que há dentro do armário?

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2 Responses to Afinal, o que há dentro do armário?

  1. miraci says:

    cada pessoa tem o livre arbitro para escolher o que quer , quem sou eu afinal para julgar alguém…

    • Agradeço pela simpatia, mas… Desculpe, não é uma escolha.
      E sabe porque precisamos sempre frisar que não é uma escolha, por mais cansativo e repetitivo que isso seja?
      Não, não é para fazermos o papel de vítima de algo que desabou sobre nós sem que pudéssemos escapar. Longe disso.
      Mas só quando as pessoas entenderem que a orientação sexual e afetiva é um dado existencial, que nasce com a pessoa, ou se forma junto com ela desde o início, é que vão entender que não dá pra tirar isso delas.
      E vão entender que não tem cabimento esperar que mudem, ou torcer para que não escolham. Nem questionar motivos pelos quais alguém faria essa escolha.
      Tudo isso porque escolha nenhuma foi feita. Assim como ninguém escolheu a cor da própria pele, ou sua estatura física.
      Parece banal, mas quando as pessoas esperam que homossexuais não sejam homossexuais, isso é tão disparatado (e cruel) quanto esperar que pessoas brancas tomem sol até morrer para ficarem morenas, ou pessoas altas cortem os pés para ficarem baixas. É uma mudança que não pode ocorrer, nem sob a mais feroz das imposições. Os loucos e infelizes que cederem à pressão e tentarem, dificilmente sobreviverão à tentativa. E se sobreviverem, será como algo menos do que eram antes. Algo ferido, mutilado. É atroz insistir nisso.
      Mas tem uma coisa que pode ser escolhida. Os homossexuais podem escolher se esconder, fingir, mentir, enganar aos outros e a si mesmos. Uma sociedade hipócrita (como a nossa ainda é) brinca com o poder que tem de, por meio da humilhação, da culpa e da violência, forçar os homossexuais a fazerem essa escolha infeliz, ou enfrentarem as terríveis consequências.
      Assim como forçou mulheres a se submeterem a seus maridos, sem chance de escapar. Assim como forçou negros e índios a uma posição social marginal e subalterna. Assim como força, ainda, a maior parte da população sem meios a se conformar com migalhas quando se trata de repartir moradia, educação, saúde e segurança.
      Agora, eu sei que a maior parte das pessoas que chamam de escolha não estão conscientemente endossando tudo isso, quero dizer, não estão mal-intencionadas.
      Mas isso não é motivo para deixar as coisas como estão, quando com um pouco de esclarecimento elas podem melhorar para todos.
      Porque – e isso é uma coisa que também me espanta que não seja entendido por todos – melhorar a vida dos homossexuais não piorará um milímetro a vida dos heterossexuais.
      Pelo contrário, milhares, milhões de famílias serão mais felizes, quando os pais não precisarem temer por seus filhos, nem se sentirem tentados a rejeitá-los, tentação a que muitos dos menos preparados, menos conscientes e de pior índole acabam cedendo.
      E isso sim, esse conflito, essa rejeição, é o que às vezes desgraça para sempre a vida de todos – pais e filhos.
      Eu não entendo – sinceramente não entendo – como é que as pessoas não conseguem aceitar que é tão simples viver sem essas infelicidades, ao menos nesse caso. Porque não custa nada para ninguém…

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