O teste do texto

Há tempos não escrevo nada aqui, o que faz com que o blog pareça abandonado. De fato, já não tenho o impulso de escrever coisas que tinha antes, frase esta que traduz uma linha que vem regularmente descendente desde aquele lugar no tempo e na memória que se costuma chamar de adolescência, quando escrevia furiosamente à caneta num bloco pautado de folhas amarelas, que depois se tornaram vários blocos pautados de folhas amarelas, que eu não tenho certeza de por onde andam nem se ainda existem…
Acho que isto acontece porque à medida que envelhecemos, fazemos mais e mais a pergunta “de quê isto serve?”. Ou não, talvez a pergunta sempre a façamos, a resposta é que passamos a dar de uma perspectiva menos otimista, mais cética e até mais cínica, às vezes.
Mas estou percebendo que é necessário fazê-lo de quando em quando, ao menos para que não perca a prática de expressar-me usando o vernáculo, que tanto custou para ser aprendido. Mentira, que isso não custou nada. Quando jovens aprendemos sem esforço, a mente como que à espera de ser preenchida com noções. Gostaria de ter sabido isso antes, pois tentaria aprender outras coisas, e deixaria de gastar espaço com coisas que hoje me são inúteis – quando não pequenos tormentos, tais quais bugigangas que caem dos armários sobre a nossa cabeça quando os abrimos, assustando-nos, e no entanto não nos pertencem, ao menos não a ponto de podermos jogá-las fora.
Mas tenho entre os rascunhos não publicados deste blog vários escritos que não passaram no teste do texto, um crivo de critérios obscuros cuja medida, eu suponho, é uma função do quanto eu imagino que haverá de interesse alheio naquelas ideias, e do quanto eu imagino que possa me arrepender de tê-lo publicado. Isto principalmente porque cada vez mais me sinto capaz de mudar de opinião – o que em si mesmo é bom – mas consequentemente menos certeza tenho de, ao passar do tempo, continuar pensando tudo que pensava da mesma maneira – e escrever o que se pensa cristaliza em palavras uma determinada maneira.
Em resumo, eu devo continuar publicando algo, de quando em quando. Mas não tenho como assegurar nem regularidade nem relevância. Asseguro apenas que continuarão sendo minhas impressões, as que valerem no momento em que tornadas texto.

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2 Responses to O teste do texto

  1. pedro_jose says:

    É uma luta constante esta a de escrever, mas aqui estamos para, mais que encontrar respostas, procurá-las.

  2. Dalv a says:

    A vida é assim, um eterno aprendizado enquanto temos um sopro dela. Normal, todos passam por isso, e o importante é registrar nossos pensamentos, sonhos, alegrias e tristezas.

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