Os defensores da religião falam muito em beleza e bondade, carácter pessoal e experiência subjectiva. Na verdade, são estas as coisas mais importantes. Mas esses defensores cometem o erro habitual — e muitas vezes fazem-no deliberadamente — de aliar estes aspectos elevados e bons da experiência humana a tudo o que seja sobrenatural. O nosso sentido de beleza, a decência, a nossa capacidade de amar, a nossa criatividade — todas as melhores coisas que possuímos — pertencem-nos, pertencem à experiência humana no mundo real. Não precisam, nem colhem benefício, de uma qualquer alegada ligação com forças sobrenaturais de um ou outro tipo. São nossas, tal como o mal, a estupidez, a ganância e a crueldade a que se opõem. Na verdade, por que não dizem os defensores da religião que estas coisas más vêm dos deuses e as boas vêm do Homem, ao invés — como sempre afirmam — do oposto?

(A. C. Grayling, O Significado das Coisas, Gradiva, Lisboa, 2003, pp. 143–151;  http://criticanarede.com/fe.html )

 

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