Catorze aspectos que caracterizam o pensamento e o comportamento fascista

Palavras de Umberto Eco:

(…) A despeito dessa confusão, considero possível indicar uma lista de características típicas daquilo que eu gostaria de chamar de “Ur-Fascismo”, ou “fascismo eterno”. Tais características não podem ser reunidas em um sistema; muitas se contradizem entre si e são típicas de outras formas de despotismo ou fanatismo. Mas é suficiente que uma delas se apresente para fazer com que se forme uma nebulosa fascista.

1.   A primeira característica de um Ur-Fascismo é o culto da tradição. O tradicionalismo é mais velho que o fascismo. Não somente foi típico do pensamento contra reformista católico depois da Revolução Francesa, mas nasceu no final da idade helenística como uma reação ao racionalismo grego clássico.
Na bacia do Mediterrâneo, povos de religiões diversas (todas aceitas com indulgência pelo Panteon romano) começaram a sonhar com uma revelação recebida na aurora da história humana. Essa revelação permaneceu longo tempo escondida sob o véu de línguas então esquecidas. Havia sido confiada aos hieróglifos egípcios, às runas dos celtas, aos textos sacros, ainda desconhecidos, das religiões asiáticas.
Essa nova cultura tinha que ser sincretista. “Sincretismo” não é somente, como indicam os dicionários, a combinação de formas diversas de crenças ou práticas. Uma combinação assim deve tolerar contradições. Todas as mensagens originais contêm um germe de sabedoria e, quando parecem dizer coisas diferentes ou incompatíveis, é apenas porque todas aludem, alegoricamente, a alguma verdade primitiva.
Como consequência, não pode existir avanço do saber. A verdade já foi anunciada de uma vez por todas, e só podemos continuar a interpretar sua obscura mensagem. É suficiente observar o ideário de qualquer movimento fascista para encontrar os principais pensadores tradicionalistas. A gnose nazista nutria-se de elementos tradicionalistas, sincretistas ocultos. A mais importante fonte teórica da nova direita italiana Julius Evola, misturava o Graal com os Protocolos dos Sábios de Sião, a alquimia com o Sacro Império Romano. O próprio fato de que, para demonstrar sua abertura mental, a direita italiana tenha recentemente ampliado seu ideário juntando De Maistre, Guenon e Gramsci é uma prova evidente de sincretismo.
Se remexerem nas prateleiras que nas livrarias americanas trazem a indicação “New Age”, irão encontrar até mesmo Santo Agostinho e, que eu saiba, ele não era fascista. Mas o próprio fato de juntar Santo Agostinho e Stonehenge, isto é um sintoma de Ur-Fascismo.

2. O tradicionalismo implica a recusa da modernidade. Tanto os fascistas como os nazistas adoravam a tecnologia, enquanto os tradicionalistas em geral recusam a tecnologia como negação dos valores espirituais tradicionais. Contudo, embora o nazismo tivesse orgulho de seus sucessos industriais, seu elogio da modernidade era apenas o aspecto superficial de uma ideologia baseada no “sangue” e na “terra” (Blut und Boden). A recusa do mundo moderno era camuflada como condenação do modo de vida capitalista, mas referia-se principalmente à rejeição do espírito de 1789 (ou 1776, obviamente). O iluminismo, a idade da Razão eram vistos como o início da depravação moderna. Nesse sentido, o Ur-Fascismo pode ser definido como “irracionalismo”.

3. O irracionalismo depende também do culto da ação pela ação. A ação é bela em si, portanto, deve ser realizada antes de e sem nenhuma reflexão. Pensar é uma forma de castração. Por isso, a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes críticas. Da declaração atribuída a Goebbels (“Quando ouço falar em cultura, pego logo a pistola”) ao uso frequente de expressões como “Porcos intelectuais”, “Cabeças ocas”, “Esnobes radicais”, “As universidades são um ninho de comunistas”, a suspeita em relação ao mundo intelectual sempre foi um sintoma de Ur-Fascismo. Os intelectuais fascistas oficiais estavam empenhados principalmente em acusar a cultura moderna e a inteligência liberal de abandono dos valores tradicionais.

4. Nenhuma forma de sincretismo pode aceitar críticas. O espírito crítico opera distinções, e distinguir é um sinal de modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento de avanço dos conhecimentos. Para o Ur-Fascismo, o desacordo é traição.

5. O desacordo é, além disso, um sinal de diversidade. O Ur-Fascismo cresce e busca o consenso desfrutando e exacerbando o natural medo da diferença. O primeiro apelo de um movimento fascista ou que está se tornando fascista é contra os intrusos. O Ur-Fascismo é, portanto, racista por definição.

6. O Ur-Fascismo provém da frustração individual ou social. O que explica por que uma das características dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos. Em nosso tempo, em que os velhos “proletários” estão se transformando em pequena burguesia (e o lumpesinato se auto exclui da cena política), o fascismo encontrará nessa nova maioria seu auditório.

7. Para os que se vêem privados de qualquer identidade social, o Ur-Fascismo diz que seu único privilégio é o mais comum de todos: ter nascido em um mesmo país. Esta é a origem do “nacionalismo”. Além disso, os únicos que podem fornecer uma identidade às nações são os inimigos. Assim, na raiz da psicologia Ur-Fascista está a obsessão do complô, possivelmente internacional. Os seguidores têm que se sentir sitiados. O modo mais fácil de fazer emergir um complô é fazer apelo à xenofobia. Mas o complô tem que vir também do interior: os judeus são, em geral, o melhor objetivo porque oferecem a vantagem de estar, ao mesmo tempo, dentro e fora. Na América, o último exemplo de obsessão pelo complô foi o livro The New World Order, de Pat Robertson.

8. Os adeptos devem sentir-se humilhados pela riqueza ostensiva e pela força do inimigo. Quando eu era criança ensinavam-me que os ingleses eram o “povo das cinco refeições”: comiam mais frequentemente que os italianos, pobres mas sóbrios. Os judeus são ricos e ajudam-se uns aos outros graças a uma rede secreta de mútua assistência. Os adeptos devem, contudo, estar convencidos de que podem derrotar o inimigo. Assim, graças a um contínuo deslocamento de registro retórico, os inimigos são, ao mesmo tempo, fortes demais e fracos demais. Os fascismos estão condenados a perder suas guerras, pois são constitutivamente incapazes de avaliar com objetividade a força do inimigo.

9. Para o Ur-Fascismo não há luta pela vida, mas antes “vida para a luta”. Logo, o pacifismo é conluio com o inimigo; o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente. Contudo, isso traz consigo um complexo de Armagedon: a partir do momento em que os inimigos podem e devem ser derrotados, tem que haver uma batalha final e, em seguida, o movimento assumirá o controle do mundo. Uma solução final semelhante implica uma sucessiva era de paz, uma idade de Ouro que contestaria o princípio da guerra permanente. Nenhum líder fascista conseguiu resolver essa contradição.

10. O elitismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacionária, enquanto fundamentalmente aristocrática. No curso da história, todos os elitismos aristocráticos e militaristas implicaram o desprezo pelos fracos. O Ur-Fascismo não pode deixar de pregar um “elitismo popular”. Todos os cidadãos pertencem ao melhor povo do mundo, os membros do partido são os melhores cidadãos, todo cidadão pode (ou deve) tornar-se membro do partido. Mas patrícios não podem existir sem plebeus. O líder, que sabem muito em que seu poder não foi obtido por delegação, mas conquistado pela força, sabe também que sua força baseia-se na debilidade das massas, tão fracas que têm necessidade e merecem um “dominador”. No momento em que o grupo é organizado hierarquicamente (segundo um modelo militar), qualquer líder subordinado despreza seus subalternos e cada um deles despreza, por sua vez, os seus subordinados. Tudo isso reforça o sentido de elitismo de massa.

11. Nesta perspectiva, cada um é educado para tornar-se um herói. Em qualquer mitologia, o “herói” é um ser excepcional, mas na ideologia Ur-Fascista o heroísmo é a norma. Este culto do heroísmo é estreitamente ligado ao culto da morte: não é por acaso que o mote dos falangistas era: “Viva la muerte!” À gente normal diz-se que a morte é desagradável, mas é preciso enfrentá-la com dignidade; aos crentes, diz-se que é um modo doloroso de atingir a felicidade sobrenatural. O herói Ur-Fascista, ao contrário, aspira à morte, anunciada como a melhor recompensa para uma vida heroica. O herói Ur-Fascista espera impacientemente pela morte. E sua impaciência, é preciso ressaltar, consegue na maior parte das vezes levar os outros à morte.

12. Como tanto a guerra permanente como o heroísmo são jogos difíceis de jogar, o Ur-Fascista transfere sua vontade de poder para questões sexuais. Esta é a origem do machismo (que implica desdém pelas mulheres e uma condenação intolerante de hábitos sexuais não-conformistas, da castidade à homossexualidade). Como o sexo também é um jogo difícil de jogar, o herói Ur-Fascista joga com as armas, que são seu Ersatz fálico: seus jogos de guerra são devidos a uma inveja pênis permanente.

13. O Ur-Fascismo baseia-se em um “populismo qualitativo”. Em uma democracia, os cidadãos gozam de direitos individuais, mas o conjunto de cidadãos só é dotado de impacto político do ponto de vista quantitativo (as decisões da maioria são acatadas). Para o Ur-Fascismo os indivíduos enquanto indivíduos não têm direitos e “o povo” é concebido como uma qualidade, uma entidade monolítica que exprime “a vontade comum”. Como nenhuma quantidade de seres humanos pode ter uma vontade comum, o líder apresenta-se como seu intérprete. Tendo perdido seu poder de delegar, os cidadãos não agem, são chamados apenas pars pro toto, para assumir o papel de povo. O povo é, assim, apenas uma ficção teatral. Para ter um bom exemplo de populismo qualitativo, não precisamos mais da Piazza Venezia ou do estádio de Nuremberg.
Em nosso futuro desenha-se um populismo qualitativo TV ou internet, no qual a resposta emocional de um grupo selecionado de cidadãos pode ser apresentada e aceita como a “voz do povo”. Em virtude de seu populismo qualitativo, o Ur-Fascismo deve opor-se aos “pútridos” governos parlamentares. Uma das primeiras frases pronunciadas por Mussolini no Parlamento italiano foi:“Eu poderia ter transformado esta assembleia surda e cinza em um acampamento para meus regimentos”. De fato, ele logo encontrou alojamento melhor para seus regimentos e pouco depois liquidou o Parlamento. Cada vez que um político põe em dúvida a legitimidade do Parlamento por não representar mais a “voz do povo”, pode-se sentir o cheiro de Ur-Fascismo.

14. O Ur-Fascismo fala a “novilíngua”. A “novilíngua” foi inventada por Orwell em 1984, como língua oficial do Ingsoc, o Socialismo Inglês, mas certos elementos de Ur-Fascismo são comuns a diversas formas de ditadura. Todos os textos escolares nazistas ou fascistas baseavam-se em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico. Devemos, porém estar prontos a identificar outras formas de novilíngua, mesmo quando tomam a forma inocente de um talk-show popular.

Depois de indicar os arquétipos possíveis do Ur-Fascismo, permitam-me concluir. Na manhã de 27 de julho de 1943 foi-me dito que, segundo informações lidas na rádio, o fascismo havia caído e Mussolini tinha sido feito prisioneiro. Minha mãe mandou-me comprar o jornal. Fui ao jornaleiro mais próximo e vi que os jornais estavam lá, mas os nomes eram diferentes. Além disso, depois de uma breve olhada nos títulos, percebi que cada jornal dizia coisas diferentes. Comprei um, ao acaso, e li uma mensagem impressa na primeira página, assinada por cinco ou seis partidos políticos como Democracia Cristã, Partido Comunista, Partido Socialista, Partido de Ação, Partido Liberal. Até aquele momento pensei que só existisse um partido em todas as cidades e que na Itália só existisse, portanto, o Partido Nacional Fascista.

Eu estava descobrindo que, no meu país, podiam existir diversos partidos ao mesmo tempo. E não só isso: como eu era um garoto esperto, logo me dei conta de que era impossível que tantos partidos tivessem aparecido de um dia para o outro. Entendi assim que eles já existiam como organizações clandestinas.

A mensagem celebrava o fim da ditadura e o retorno à liberdade: liberdade de palavra, de imprensa, de associação política. Estas palavras, “liberdade”, “ditadura” — Deus meu —, era a primeira vez em toda a minha vida que eu as lia. Em virtude dessas novas palavras renasci como homem livre ocidental.

Devemos ficar atentos para que o sentido dessas palavras não seja esquecido de novo. O Ur-Fascismo ainda está ao nosso redor, às vezes em trajes civis. Seria muito confortável para nós se alguém surgisse na boca de cena do mundo para dizer: “Quero reabrir Auschwitz, quero que os camisas-negras desfilem outra vez pelas praças italianas!”. Ai de mim, a vida não é fácil assim! O Ur-Fascismo pode voltar sob as vestes mais inocentes. Nosso dever é desmascará-lo e apontar o indicador para cada uma de suas novas formas — a cada dia, em cada lugar do mundo. Cito ainda as palavras de Roosevelt: “Ouso dizer que, se a democracia americana parasse de progredir como uma força viva, buscando dia e noite melhorar, por meios pacíficos, as condições de nossos cidadãos, a força do fascismo cresceria em nosso país” (4 de novembro de 1938). Liberdade, liberação são uma tarefa que não acaba nunca. Que seja este o nosso mote: “Não esqueçam”.

E permitam-me acabar com uma poesia de Franco Fortini:

Sulla spalletta del ponte
Le teste degli impiccati
Nell’acqua della fonte
La bava degli impiccati
Sul lastrico del mercato
Le unghie dei fucilati
Sull’erba secca del prato
I denti dei fucilati
Mordere l’aria mordere i sassi
La nostra carne non à più d’uomini
Mordere l’aria mordere i sassi
Il nostro cuore non à più d’uomini.

Ma noi s’è letto negli occhi dei morti
E sulla terra faremo libertà
Ma l’hanno stretta i pugni dei morti
La giustizia che si farà.

Na amurada da ponte
A cabeça dos enforcados
Na água da fonte
A baba dos enforcados
No calçamento do mercado
As unhas dos fuzilados
Sobre a grama seca do prado
Os dentes dos fuzilados
Morder o ar morder as pedras
Nossa carne não é mais de homens
Morder o ar morder as pedras
Nosso coração não é mais de homens

Mas lemos nos olhos dos mortos
E sobre a terra a liberdade havemos de fazer
Mas estreitaram-na nos punhos os mortos
A justiça que se há de fazer.

Extraído de Umberto Eco, O Fascismo Eterno, in: Cinco Escritos Morais, Tradução: Eliana Aguiar, Editora Record, Rio de Janeiro, 2002.

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CARTILHA LAICIDADE: O QUE É?

Para levar à população uma mensagem em defesa da Laicidade do Estado e contra a intolerância religiosa, foi publicada em 2017 a cartilha Laicidade: o que é? Produzida conjuntamente pelo OLÉ e pelo mandato da vereadora do município do Rio de Janeiro Marielle Franco, com ilustrações de André Amaral e projeto gráfico de Evlen Lauer, a cartilha está disponível para download clicando aqui. Baixe a versão em PDF da cartilha Laicidade: o que é?, conheça o material e compartilhe com suas redes!

Mães, sejam essa mãe.

Está correndo pela internet, e logo vai sumir na multidão. Como me emocionei muito, vou colar aqui nisso que tende a se tornar um álbum de recordações virtual… Algum dia, eu não sei quando, os jovens talvez não tenham que passar por isso. Nem pedir desculpas por isso. Nem ficar com medo de não ter esse acolhimento, nem ficar arrasados quando ele não acontecer. Porque, sabe, nem sempre acontece. E só quem torceu para que fosse assim, e não foi, sabe como é o desastre interno, a vontade de fugir, sumir, morrer… Alguns morrem mesmo, há até um belo filme baseado em fatos reais sobre isso. Alguns não morrem por um triz e ninguém nunca fica sabendo o quanto quase custou tanto orgulho. Mães (e pais, claro), sejam essa mãe. Não ser só causa dor.

De volta outra vez

Por vezes deixo este blog abandonado por bastante tempo… Gostaria, se possível fosse, de escrever com mais frequencia. Mas não é, por vários motivos, de modo que não devo cobrar demais de mim mesmo. Até porque, se tem algo que estes textos não são, é indispensáveis, neste mundo de produção insana de “conteúdo”, seja lá o que isto possa ser.

O fato é que tem havido tantos motivos para desanimar-se de tentar construir qualquer coisa de feita de pensamento, dadas as enxurradas de ignorância brutal  (ou seria de brutalidade ignorante?) que parecem tornar inútil todo o nosso esforço. 

O que me parece importante é que parece haver muitas pessoas que estão inclinadas a opor-se à ignorância,  à brutalidade e à barbárie, porém não se dispõem a realmente agir nessa direção porque não sabem como fazer qualquer coisa de efetiva. Algumas se manifestam bastante,  mas muitas vezes a sensação é a de que discursam em meio à tormenta: acrescem ruído ao ruído, já de início ensurdecedor, sem que seja possível distinguir coisa alguma. Outras se mantém fieis aos pequenos e localizados gestos, porém com a impressão de que estes são insuficientes. 

O que seria praticável para unir os seres humanos de boa vontade? Alguém faz ideia?

Campanha para ajudar jovens LGBTs

Canal das Bee lança campanha para ajudar jovens LGBTs


por Redação
27/09/2016 17:43

Criado em 2012, o Canal das Bee se tornou reconhecido em todo país por sua militância LGBT. Com quase 300 mil inscritos no Youtube, o grupo que posta periodicamente conteúdos a fim de debater questões como sexualidade, racismo e feminismo decidiu ir além dos vídeos semanais e lançou o projeto de financiamento coletivo “Bee Ajuda“.

A ideia é ajudar jovens LGBTs de todo o país que vivem conflitos com suas sexualidades, sofrem abuso, bullying, violência, pensam em suicídio, entre outras situações nem um pouco tranquilas. Esses pedidos são recorrentes desde os primeiros vídeos publicados por Jéssica Tauane, Débora Baldin e Herbet Castro.

  • Debora Baldin, integrante do Canal das Bee

    1/3 Debora Baldin, integrante do Canal das Bee

    Herbet Castro, integrante do Canal das Bee

    2/3 Herbet Castro, integrante do Canal das Bee

  • Jessica Tauane, integrante do Canal das Bee

    3/3 Jessica Tauane, integrante do Canal das Bee

O objetivo do Bee Ajuda é arrecadar R$120 mil para oferecer atendimento psicológico gratuito a esses jovens com atendimento profissional de psicologia e ter o acolhimento psicológico adequado. Com a meta alcançada, o grupo pretende remunerar o psicólogo Bruno Bueno por um ano para realizar esse acolhimento.

O projeto está hospedado na plataforma de crowdfunding (ou vaquinha virtual, no português claro) Benfeitoria e pode ser feita por qualquer um, com doações a partir de R$ 10. Todo mundo que ajudar recebe recompensas – que diferem de acordo com a doação. Para conferir os valores de doações disponíveis, ajudar e ainda, de quebra, ganhar uma lembrancinha do Canal das Bee, clique aqui.

Abaixo você confere o vídeo que Herbet e Débora gravaram para a campanha #BullyingNãoÉMIMIMI do Catraca Livre:

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FCatracaLivre%2Fvideos%2F1360422483994759%2F&show_text=0&width=560

Além do acolhimento psicológico, outra meta do financiamento coletivo do Canal das Bee é a produção de um curta, dirigido por Fernanda Soares, outra integrante do canal, que pretende promover a representatividade na produção cultural, contando uma história sobre mulheres que amam mulheres.

OBERGEFELL v. HODGES

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos da América, publicada hoje, 26.06.2015, para o caso OBERGEFELL v. HODGES, é bastante longa, e não tenho, para o momento, condições de traduzi-la. Mas não poderia deixar de fazê-lo em relação ao seu último parágrafo, tal como escrito no voto do Justice Kennedy, seguido pelos Justices Ginsburg, Breyer, Sotomayor e Kagan, e adotado como Opinião da Corte:

Nenhuma união é mais profunda do que o casamento, pois incorpora os mais altos ideais de amor, fidelidade, dedicação, sacrifício e família. Ao formar uma união conjugal, duas pessoas se tornam algo maior do que aquilo que um dia foram. Como alguns dos peticionários destas causas demonstram, o casamento encarna um amor que pode perdurar até mesmo após a morte. Seria um equívoco em relação esses homens e mulheres, dizer que desrespeitam a ideia do casamento. Tal é sua pretensão de respeitá-la, e respeitá-la tão profundamente, que buscaram concretizar o seu cumprimento para si mesmos. Sua esperança é a de não serem condenados a viver na solidão, excluídos de uma das mais antigas instituições da civilização. Eles pedem por igual dignidade aos olhos da lei. A Constituição lhes concede esse direito. O julgamento do Tribunal de Apelações do Sexto Circuito está revertido. Assim é ordenado.

O ilustrador australiano Toby Morris criou o quadrinho intitulado “On a Plate” (“De Bandeja”, em português), em que mostra duas realidades antagônicas, propondo uma reflexão sobre privilégios e oportunidades:

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“Ergue os olhos”

Eu não sou exatamente um ingênuo. Bom, talvez um pouco, às vezes. Não faz mal: ganhei mais do que perdi, no fim das contas, em manter acesa uma chama de crença e idealismo, ou talvez mais humildemente, de esperança. Como a chama-piloto de um aquecedor a gás, ainda que pequena e tímida, ela precisa ser mantida acesa, quando precisarmos do fogo total de nossos corações em algum momento crucial de nossas vidas.

Sobre o texto que estou prestes a citar, e que data de 1940: eu sei que nada aconteceu assim, nem poderia, e que mais cinco anos de barbárie reduziram a cinzas a Europa, partes da Rússia, o Japão, partes da China, partes do Sudeste Asiático, e tantos outros recantos do mundo aonde as hostilidades reverberaram, e puseram o mundo de joelhos entre dois extremos ruins. Sei que um deles, o do lado dos EUA, não foi grato a Chaplin, doravante e sempre mais perseguido por suas idéias libertárias, até não ser mais capaz permanecer na América, a qual deixou em 1952.

Porém, em tempos como os atuais, em que estupores e boçais ameaçam sequestrar, mais uma vez, o debate da cidadania com discursos cheios de ódio e irracionalidade, em nome das crenças pequenas que tentam insuflar em sua busca insaciável por poder, textos como o que se segue são ar que ventila e ajuda a manter acesa essa chama de esperança, crença e gratidão. Gratidão porque o exemplo histórico ainda ressoa, e esses tiranetes da alma são – ainda e, queira o Destino, sempre – não mais insetos perto daqueles monstros cujo exemplo imitam, portanto incapazes de fazer tanto mal. Crença em que os seres humanos são capazes de mais e melhores coisas do que as que nos têm apresentado esses espécimes infelizes. Esperança de que, de algum lugar onde se encontram ocultos, alguns deles retornarão a tempo de provar isso, de uma vez por toda, em nome da liberdade e da dignidade de todos, sem preconceitos, sem discriminação, sem ódio…

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, gentios… negros… brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

“…sua força”

Para encerrar, ou melhor, completar o ciclo de postagens sobre a liberdade, andei em busca de um exemplo final que desse uma idéia radical de como podemos lutar por ela. Lendo a coluna de Rosely Sayão publicada na Folha de S. Paulo de hoje, 11.09.2012, abaixo transcrita, contudo, percebi que os desafios não precisam ser violentos. Pelo contrário, a liberdade começa a ser minada sempre de maneiras sutis, as mais insidiosas porque contam com nossa concordância ou indiferença (para fins práticos quase que dá no mesmo). Então, defender a liberdade com toda nossa força significa empregar para isso toda nossa esperteza e senso crítico para perceber cada pequena coisa que corroi seus fundamentos.

A patrulha chega ao recreio

Vivemos numa época em que a vida pessoal tem ficado, cada vez mais, submetida a intervenções do Estado e de movimentos de determinados segmentos da sociedade de um modo geral.

O contraditório dessa história é que, ao mesmo tempo em que o leque de escolhas que temos de fazer diariamente aumenta –o que significa trabalho redobrado para viver e estresse muito maior– também vemos uma série de escolhas ser subtraída de nossas vidas.

O que vamos comer, por exemplo? Agora já não vale mais o nosso gosto, apenas. Precisamos também considerar determinadas normas ditadas pelas ciências que, por sinal, podem mudar constantemente. Lembra-se do ovo? Já foi demonizado, agora não é mais. É que a alimentação se transformou em uma questão de saúde, e não mais uma questão social, familiar, de prazer etc.

Já há diversas leis e projetos em andamento que, de alguma maneira, interferem na vida pessoal de todos. E temos também as chamadas patrulhas sociais. Essas valem para muitos aspectos da vida. A alimentação é apenas um dos exemplos.

O fato é que a linha divisória entre vida pessoal e vida social está cada vez mais tênue, nesses tempos em que fazem tanto sucesso na TV os shows de invasão da intimidade das pessoas.

Às vezes, dá a impressão de que entregamos com gosto algumas decisões para outrem, seja para o Estado ou para ditames atuais das ciências e das tecnologias.

No mínimo, nós precisamos ter consciência de que isso está ocorrendo. E as gerações mais novas poderiam aprender a fazer uma análise crítica a esse respeito, caso tivessem a colaboração da escola para isso. Mas, surpresa: esta tem se aliado ao movimento de intervir na vida pessoal de seus alunos e, portanto, das famílias também.

Vou tomar dois exemplos que chegaram recentemente ao meu conhecimento como indicadores desse posicionamento de diversas escolas.

A mãe de duas crianças que frequentam uma instituição de ensino particular de São Paulo agora não pode mais enviar a merenda que ela quer que seus filhos levem. É que a escola enviou aos pais uma lista de alimentos proibidos de serem consumidos como lanche pelos alunos.

Vou citar apenas um deles, que é o que essa mãe colocava pelo menos uma vez por semana no lanche dos filhos: biscoito recheado.

Não vamos analisar a questão da alimentação saudável, apenas a liberdade de escolha pessoal. Como a mãe resolveu a questão? Substituindo biscoitos por bolo. Industrializado, claro. Biscoito não pode, mas bolo pode. Essa mãe não sabe qual a lógica dessa lista enviada pela escola. Mas uma coisa dá para perceber: a vida pessoal das famílias e dos alunos dessa escola sofreu interferência.

Claro que os alunos não conseguem entender a complexidade da questão, mas podem aprender algo com tal atitude da escola: a de que sofrer interferências na vida pessoal é um fato “normal”.

Outro exemplo diz respeito às atividades que muitas escolas fazem, chamadas de “estudo do meio”. Algumas fazem essa saída por um dia, outras por mais de um dia.

Uma criança ou adolescente deveria ter o direito de escolher se quer ou não participar da atividade, dada sua natureza, não deveria? Pais deveriam ter o direito de aceitar ou não que o filho viaje sem sua companhia, certo?

Pois algumas escolas colocam a atividade como obrigatória. Ou então fazem pressão sobre alunos e pais que manifestam desagrado com a saída do filho. Do mesmo modo que no primeiro exemplo, há interferência na vida pessoal dessas famílias.

Talvez a escola devesse avaliar melhor o que anda ensinando aos seus alunos, mesmo sem ter a intenção de ensinar. E a maior lição passada pelas atitudes citadas é, sem dúvida, a de que a interferência na vida pessoal de alguém é normal. É?

“…com toda…”

Dando continuidade à preocupação com a liberdade em perigo, segue coluna interessantíssima de Marcia Tiburi na edição nº 167 da Revista Cult:

Fascismo potencial

MARCIA TIBURI

Theodor Adorno publicou em 1950 um estudo psicossociológico com a intenção de abordar o que surgia naquela época como um novo tipo subjetivo. Hoje estamos acostumados com ele. A característica fundamental do que se chamou de “personalidade autoritária” era a combinação contraditória, num mesmo indivíduo, entre uma postura racional e idiossincrasias irracionais.

Na visão de Adorno, a pessoa marcada por esta personalidade seria um tipo individualista e independente enquanto teria, ao mesmo tempo, uma propensão fortíssima a se submeter à autoridade.

Naquele estudo, o objetivo era entender o que se chamou de tipo discriminatório. Queriam desvendar os motivos do avanço do ódio ao outro em escala social que teria levado ao nazismo alemão. Preocupavam-se com a mesma tendência nos EUA onde estavam exilados. O que chamaram de “fascismo potencial” seria uma característica de indivíduos que teriam se mimetizado às tendências antidemocráticas da sociedade.

Nessa formulação, o mais problemático seria entender o caráter antidemocrático comum em indivíduos cultos porque se conceberia a priori que a educação leva a uma compreensão não apenas racional, mas também “razoável” das condições sociais.

De onde viria a necessidade de submissão a um algoz, a um carrasco, a um líder paranóico, a uma tendência autoritária por parte de quem poderia entender estes mecanismos?

Essa questão, colocada durante os anos da Segunda Guerra Mundial e que explicou o contentamento de grande parte da população brasileira na época da ditadura militar, ainda é a nossa. Poderíamos explicar o ódio ao outro na forma do racismo, da homofobia, do machismo, do ódio ao “comunista”, pelo argumento da ignorância.

Mas não existe uma ligação direta entre o conhecimento como mera posse de informações eruditas e o senso ético. Vemos intelectuais fascistas agindo em diversos países mascarando pela pompa aristocrática do “conservadorismo”, o que muitas vezes não passa de ódio ao outro.

Poderíamos usar o estudo de Adorno para medir o nosso potencial fascista, ou seja, a nossa chance de submetermo-nos à força de uma tendência política ou moral preponderante apenas porque surge com mais força do que outras. Para entender por que tantos defendem aquilo que os oprime enquanto ao mesmo tempo são opressores. Para entender vítima que elogia o sistema, que odeia quem, parecendo mais vítima do que ela, denuncia a inverdade na qual ele se sustenta.

Ódio barato

Há um ódio barato vigente em nossa cultura. E ele é programado quando se dirige aos pobres, aos tachados de loucos, às prostitutas, aos travestis, aos grupos de adolescentes que se vestem de modo inusitado ou pertencem a uma tribo que não a das roupas de marcas sempre aceitas. Ódio barato porque é fácil de sentir e dirige-se a quem é marcado como descartável pelo sistema econômico.

Ele se refere à todos aqueles que não se encaixam no econômico sistema mental de explicações pré-estabelecidas ao qual o fascista serve. Daí que ele se realize com explicações econômicas e defenda-se com um lema bem barato, um primor do senso comum: as coisas são como são e não podem ser diferentes.

Por meio de um último exemplo relativo às ruas das grandes cidades, não será difícil entender como pessoas “de bem”, corretas pagadoras de impostos e obedientes às leis possam ser portadoras desse ódio barato. Ele aparece no mau-humor geral contra motociclistas que trabalham entregando documentos e pizzas nas cidades grandes. Quem critica este tipo de trabalhador em geral se serve dele.

Não é diferente o ódio crescente aos ciclistas por parte de uma população de “bons cidadãos” que olham o mundo no limite das carcaças de seus carros. Ao ocuparem a rua com outra alternativa do que a prescrita pela indústria da cultura automobilística, os motociclistas e ciclistas denunciam a burrice do sistema.

O fascista, que só conhece a si mesmo enquanto se confunde com o sistema, sente-se ferido narcisicamente pela imaginação dos outros que lhes denuncia a falsidade. Neste ponto, o fascista, descobrindo-se subjetivamente morto, avança em seu ódio e pode nos atropelar.

“…em perigo. Defenda-a…”

Apenas para ilustrar aquilo de que tenho falado, podemos fazer algo, ainda que pouco:

Free Pussy Riot, Free Russia

Posted: 23 August 2012
Facing 2 years in jail for singing a song criticizing President Putin in a church, a member of Pussy Riot gestured to the court and said in her show-trial’s closing statements, “Despite the fact that we are physically here, we are freer than everyone sitting across from us … We can say anything we want…”Russia is steadily slipping into the grip of a new autocracy — clamping down on public protest, allegedly rigging elections, intimidating media, banning gay rights parades for 100 years, and even beating critics like chess master Garry Kasparov. But many Russian citizens remain defiant, and Pussy Riot’s eloquent bravery has galvanized the world’s solidarity. Now, our best chance to prove to Putin there is a price to pay for this repression lies with Europe.

The European Parliament is calling for an assets freeze and travel ban on Putin’s powerful inner circle who are accused of multiple crimes . Our community is spread across every corner of the world — if we can push the Europeans to act, it will not only hit Putin’s circle hard, as many bank and have homes in Europe, but also counter his anti-Western propaganda, showing him that the whole world is willing to stand up for a free Russia.Sign the petition on the right and tell everyone .

photo credit: Reuters