A Onda é um filme mais que necessário nesses dias – Cinematologia

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Mães, sejam essa mãe.

Está correndo pela internet, e logo vai sumir na multidão. Como me emocionei muito, vou colar aqui nisso que tende a se tornar um álbum de recordações virtual… Algum dia, eu não sei quando, os jovens talvez não tenham que passar por isso. Nem pedir desculpas por isso. Nem ficar com medo de não ter esse acolhimento, nem ficar arrasados quando ele não acontecer. Porque, sabe, nem sempre acontece. E só quem torceu para que fosse assim, e não foi, sabe como é o desastre interno, a vontade de fugir, sumir, morrer… Alguns morrem mesmo, há até um belo filme baseado em fatos reais sobre isso. Alguns não morrem por um triz e ninguém nunca fica sabendo o quanto quase custou tanto orgulho. Mães (e pais, claro), sejam essa mãe. Não ser só causa dor.

“Ergue os olhos”

Eu não sou exatamente um ingênuo. Bom, talvez um pouco, às vezes. Não faz mal: ganhei mais do que perdi, no fim das contas, em manter acesa uma chama de crença e idealismo, ou talvez mais humildemente, de esperança. Como a chama-piloto de um aquecedor a gás, ainda que pequena e tímida, ela precisa ser mantida acesa, quando precisarmos do fogo total de nossos corações em algum momento crucial de nossas vidas.

Sobre o texto que estou prestes a citar, e que data de 1940: eu sei que nada aconteceu assim, nem poderia, e que mais cinco anos de barbárie reduziram a cinzas a Europa, partes da Rússia, o Japão, partes da China, partes do Sudeste Asiático, e tantos outros recantos do mundo aonde as hostilidades reverberaram, e puseram o mundo de joelhos entre dois extremos ruins. Sei que um deles, o do lado dos EUA, não foi grato a Chaplin, doravante e sempre mais perseguido por suas idéias libertárias, até não ser mais capaz permanecer na América, a qual deixou em 1952.

Porém, em tempos como os atuais, em que estupores e boçais ameaçam sequestrar, mais uma vez, o debate da cidadania com discursos cheios de ódio e irracionalidade, em nome das crenças pequenas que tentam insuflar em sua busca insaciável por poder, textos como o que se segue são ar que ventila e ajuda a manter acesa essa chama de esperança, crença e gratidão. Gratidão porque o exemplo histórico ainda ressoa, e esses tiranetes da alma são – ainda e, queira o Destino, sempre – não mais insetos perto daqueles monstros cujo exemplo imitam, portanto incapazes de fazer tanto mal. Crença em que os seres humanos são capazes de mais e melhores coisas do que as que nos têm apresentado esses espécimes infelizes. Esperança de que, de algum lugar onde se encontram ocultos, alguns deles retornarão a tempo de provar isso, de uma vez por toda, em nome da liberdade e da dignidade de todos, sem preconceitos, sem discriminação, sem ódio…

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, gentios… negros… brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Lindo filme: C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor

Filme maravilhoso… Trilha sonora fantástica.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
C.R.A.Z.Y.
C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (BR)
 Canadá
2005 •  cor •  127 min
Produção
Direção Jean-Marc Vallée
Roteiro François Boulay
Jean-Marc Vallée
Elenco original Michel Côté
Marc-André Grondin
Danielle Proulx
Género drama
Idioma original francês
IMDb: (inglês)(português)
Projeto CinemaPortal Cinema

C.R.A.Z.Y. é um filmecanadense falado em francês de 2005 rodado em Quebec. Ele conta a história de Zac, um jovem lidando com seus emergentes sentimentos homossexuais enquanto cresce com quatro irmãos e um pai conservador no Quebec dos anos de 1960/1970. O filme foi dirigido e co-escrito com François Boulay por Jean-Marc Vallée. O título deriva da junção da primeira letra dos nomes dos cinco irmãos: Christian, Raymond, Antoine, Zachary e Yvan, e também se refere ao amor duradoudo do pai pela clássica canção de Patsy Cline, “Crazy“.

Sinopse

Zachary Beaulieu (Marc-André Grondin) cresce no turbulento Quebec dos anos de 1960/1970. Sendo o segundo filho mais novo de um pai com “mais do que o nível normal de hormônios masculinos” e criado entre outros quatro irmãos, Zac luta para definir sua própria identidade e lida com o conflito entre sua emergente sexualidade e seu intenso desejo de agradar a seu rigoroso, temperamental e conservador pai, que seria considerado como homofóbico até nos dias de hoje. Um dos temas do filme é a minguante influência da Igreja Católica na sociedade de Quebec durante a Revolução Tranqüila.

Produção

Música do período é um elemento importante do filme, e uma porção considerável de seu orçamento foi gasta adquirindo direitos para músicas de Patsy Cline, Pink Floyd, Rolling Stones assim como “Space Oddity” de David Bowie, e muitos outros.[1]

A música Emmenez Moi de Charles Aznavour é repetida várias vezes no filme, geralmente cantada pelo pai. Ele também canta outra música de Aznavour, Hier Encore, como parte das comemorações do 20º aniversário de Zac.

Exibição

O filme estreou em Quebec em 27 de Maio de 2005. Sua duração é de 127 minutos e sua classificação (de acordo com o sistema de classificação de filmes de Quebec) era para 13 anos ou acima.

Bilheteria e prêmios

C.R.A.Z.Y. foi um sucesso de bilheteria para os padrões do relativamente pequeno mercado de Quebec, arrecadando CAD$ 6,2 milhões. Foi bem recebido pela crítica.

No 26º prêmio Genie para filmes canadenses, ganhou 11 dos 13 prêmios, e ganhou vários prêmios no Prix Jutra para filmes de Quebec. Ganhou prêmios em vários festivais internacionais de filmes. Foi também selecionado como candidato do Canadá para o Oscar de melhor filme estrangeiro no Oscar 2006, mas não foi um dos filmes indicados.

Lista de prêmios

  • Maine International Film Festival, 2007: Ganhador, Prêmio de Favorito do Público.
  • Prix Jutra, 2006: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro, Melhor Cinematografia, Melhor Edição, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Som, Melhor Maquiagem, Melhor Penteado, Maior Sucesso de Bilheteria, Filme Mais Ilustre fora de Quebec
  • Prêmio Genie, 2006: Best Motion Picture, Achievement in Art Direction/Production Design, Achievement in Costume Design, Achievement in Direction, Achievement in Editing, Performance by an Actor in a Leading Role, Performance by an Actress in a Supporting Role, Achievement in Sound Editing, Roteiro Original
  • Toronto International Film Festival, 2005: Toronto – City Award for Best Canadian Feature Film
  • Gijon international film festival (Spain), 2005: Prêmio do júri jovem (melhor filme), melhor diretor (Jean-Marc Vallée), melhor script (François Boulay), melhor direção artística (Patrice Bricault-Vermette)
  • Atlantic Film Festival, 2005: Best Canadian Feature
  • AFI Fest (Los Angeles), 2005: Prêmio do Público – Melhor Filme
  • Festival de Filme de Marrakech (Marrocos), 2005: Prêmio do Júri
  • Festival de Filme de Veneza (Itália), 2005: aceito

Elenco

Curiosidades

  • O nome do filme é formado pelas iniciais dos cinco filhos, na ordem do mais velho ao mais novo: Christian, Raymond, Antoine, Zachary e Yvan

Ver também

Referências

Eu não quero voltar sozinho