Queremos saber

Queremos saber,
O que vão fazer
Com as novas invenções
Queremos notícia mais séria
Sobre a descoberta da antimatéria
e suas implicações
Na emancipação do homem
Das grandes populações
Homens pobres das cidades
Das estepes dos sertões.

Queremos saber,
Quando vamos ter
Raio laser mais barato
Queremos, de fato, um relato
Retrato mais sério do mistério da luz
Luz do disco voador
Pra iluminação do homem
Tão carente, sofredor
Tão perdido na distância
Da morada do senhor.

Queremos saber,
Queremos viver
Confiantes no futuro
Por isso se faz necessário prever
Qual o itinerário da ilusão
A ilusão do poder
Pois se foi permitido ao homem
Tantas coisas conhecer
É melhor que todos saibam
O que pode acontecer.

Queremos saber, queremos saber
Queremos saber, todos queremos saber.

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Memória cultural brasileira

Eu me policio sempre para que não saiam da minha boca coisas como “antigamente a (insira aqui a manifestação cultural de sua preferência) era boa, hoje é uma porcaria”. Eu acredito que o que existe é a prova do tempo, que faz com que nos lembremos das coisas boas de antigamente e esqueçamos as ruins. Creio que em toda a época se produziram textos, músicas, filmes, peças, etc. irrelevantes, superficiais, e mesmo ruins sem escapatória do termo. Em todo presente (o de hoje e os de ontem), o bom e o ruim nos chegam misturados, e a mistura por si mesma é uma cacofonia de que não gostamos. O saudosismo é uma reação compreensível, mas estatisticamente enviesada, portanto.

E, mesmo pensando assim, há coisas que me fazem tremer nas bases e imaginar por um momento que houve, realmente, picos dos quais vimos rolando morro abaixo até o presente. De qualquer forma, acho que a reunião de gênios abaixo foi um ponto fora da curva média e um momento histórico da cultura deste país. Sou muito grato ao internauta que tentou recompor o programa televisivo original, um dos últimos de uma série chamada “Chico & Caetano”, produzida e transmitida pela Rede Globo em 1986 quando, já dispensada de bater continência aos generais, talvez lá alguém tenha se sentido compelido por alguma espécie de remorso a dar espaço aos artistas que antes se havia tão injustamente ignorado.

Tudo é emocionante, mas ainda mais me arrepiei após a entrada em cena de Mercedes Sosa, cuja voz poderosa, mais seus tambores tucumanos, conjuram as magias necessárias para que, depois, em apoteose, o quinteto entregue “Volver a los 17”, canção pulsante para os lindos versos de Violeta Parra. Chile, Argentina e Brasil, sangue misturado ao verter-se sob o tacão das ditaduras, mas unidos e irmanados também pela luz brilhante de verso e canção, e que pena que não por outras formas e forças comuns…

Desfrutai, e não vos esqueçais de que já houve tais momentos ricos e belos na história cultural desse nosso país, de outros muitos modos tão irremediavelmente pobre.

Estas são as canções em castelhano que se iniciam em 14:24 do vídeo

Venganza (“Galopa Murrieta”)

(Pablo Neruda / Manuel Picón)

¿Donde está el atrevido jinete?
vengando a su pueblo y su gente
¿Donde esta el solitario insurgente,
al que ayer lo oculto su vestuario?
¿Donde esta su caballo y su rayo?
¿Donde asechan sus ojos ardientes?

CORO: Galopa, galopa

Lo dice la arena que traigo
la sangre de los desdichados

Galopa, galopa

Lo dice la luna que ahí va la venganza
en esta montura
Va certero y seguro este rayo
Vengando en la noche a los suyos
Sin bandera, sin ley, sin destino,
solo tiene un dolor asesino
Hay nocturno chileno distante
azotado por daño incesante

REPETIR CORO

Hay nocturno chileno distante
azotado por daño incesante

Galopa, galopa

Lo dice la arena que traigo
la sangre de los desdichados
Hay nocturno chileno y distante
azotado por rayo incesante

Galopa, galopa

Lo dice la luna que ahí va
la venganza en esa montura
Hay nocturno chileno y distante
azotado por daño incesante
Hay nocturno chileno y distante
azotado por daño incesante

Galopa, galopa galopa, galopa

Hay nocturno…

Un Son para Portinari

(Inti-Illimani)

Para Candido Portinari
La miel y el ron
Y una guitarra de azucar
Y una cancion
Y un corazon
Para Candido Portinari
Buenos aires y un Bandoneon

Ay, esta noche se puede
Se puede
Ay, esta noche se puede
Se puede
Se puede cantar un son

Sueña y fulgura
Un hombre de mano dura
Hecho de sangre y pintura
Grita en la tela
Sueña y fulgura
Su sangre de mano dura
Sueña y fulgura
Como tallado en candela
Sueña y fulgura
Como una estrella en la altura
Sueña y fulgura
Como una chispa que vuela
Sueña y fulgura

Asi, con su mano dura
Hecho de sangre y pintura
Sobre la tela
Sueña y fulgura
Un hombre de mano dura

Portinari lo desvela
Y el roto pecho le cura

Volver a los 17

(Violeta Parra)

Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios

Eso es lo que siento yo en este instante fecundo

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay sí, sí, sí

Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
El arca de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay sí, sí, sí

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay sí, sí, sí

El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay sí, sí, sí.

Prelúdio para ninar gente grande (“menino passarinho”) / Paz do meu amor

As vozes podem envelhecer, fraquejar… até calar-se. Mas a poesia é imortal.

Quando estou nos braços teus

Sinto o mundo bocejar.

Quando estás nos braços meus

Sinto a vida descansar.

No calor do teu carinho

Sou menino-passarinho

Com vontade de voar.

Sou menino-passarinho

Com vontade de voar.

Você é isso: Uma beleza imensa,

Toda recompensa de um amor sem fim.

Você é isso: Uma nuvem calma

No céu de minh’alma; é ternura em mim.

Você é isso: Estrela matutina,

Luz que descortina um mundo encantador.

Você é isso: É parto de ternura,

Lágrima que é pura, paz do meu amor.

Canções que compartilham, parcialmente, uma mesma melodia, e um mesmo mote poético. Lindas.

Meu Refrão

Quem canta comigo, canta o meu refrão
Meu melhor amigo é meu violão
Meu melhor amigo é meu violão

Já chorei sentido de desilusão
Hoje estou crescido
Já não choro não
Já brinquei de bola, já soltei balão
Mas tive que fugir da escola
Pra aprender a lição

Quem canta comigo, canta o meu refrão
Meu melhor amigo é meu violão
Meu melhor amigo é meu violão

O refrão que eu faço é pra você saber
Que eu não vou dar braço pra ninguém torcer
Deixa de feitiço
Que eu não mudo não
Pois eu sou sem compromisso, sem relógio e sem patrão

Quem canta comigo, canta o meu refrão
Meu melhor amigo é meu violão
Meu melhor amigo é meu violão

Nasci sem sorte
Moro num barraco
Mas meu santo é forte
O samba é meu fraco
No meu samba eu digo o que é de coração

Quem canta comigo, canta o meu refrão
Quem canta comigo, canta o meu refrão
Meu melhor amigo é meu violão
Meu melhor amigo é meu violão

Cirandeiro

Ô cirandeiro, ô cirandeiro, ó
A pedra do teu anel
Brilha mais do que o sol
A ciranda de estrelas
Caminhando pelo céu
É o luar da lua cheia
É o farol de Santarém
Não é lua nem estrela
É saudade clareando
Nos olhinhos de meu bem

Ô cirandeiro, ô cirandeiro, ó
A pedra do teu anel
Brilha mais do que o sol
A ciranda de estrelas
Caminhando pelo céu
É o luar da lua cheia
É o farol de Santarém
Não é lua nem estrela
É saudade clareando
Nos olhinhos de meu bem

A ciranda de sereno
Visitando a madrugada
O espanto achei dormindo
Nos sonhos da namorada
Que serena dorme e sonha
Carregada pelo vento
Num andor de nuvem clara

Ô cirandeiro, ô cirandeiro, ó
A pedra do teu anel
Brilha mais do que o sol
A ciranda de estrelas
Caminhando pelo céu
É o luar da lua cheia
É o farol de Santarém
Não é lua nem estrela
É saudade clareando
Nos olhinhos de meu bem

São sete estrelas correndo
Sete juras a jurar
Três Marias, Três Marias
Se cuidem de bom cuidar
No amor e o juramento
Que a estrela D’alva chora
De nos sete a acreditar

Beleza

Às vezes, num mundo tão duro e tão cheio de tristezas, somos realmente obrigados, por nossa mente cansada, a encontrar um ponto de apoio, um farol, algo que, ainda que não justifique por si próprio a existência, nos forneça um sentido capaz de nos prender um pouco mais firmemente a esse caminho tão estranho, que percorremos sem o ver e sem saber aonde nos leva.

A Beleza, para mim, pode às vezes cumprir esse papel, por isso a estimo profundamente sempre que a encontro. Ela pode vir dos mais diversos lugares e das mais diversas formas, surpreendendo-nos na luz estranha que a uma certa hora, por alguns instantes, atravessa frestas fortuitas entre edifícios e empresta certa graça a uma cidade feia; ou na silhueta graciosa de alguém com quem cruzamos rapidamente numa esquina e contemplamos apenas tempo suficiente para, sem saber quem é, de onde vem ou para onde vai, apenas pressentir que, ali e naquela hora, é feliz; ou no olhar de surpresa seguido pelo calmo cair em silêncio de quem subitamente descobriu que de nada vale discutir, objetar, contra o curso da história ou contra a estupidez universal; ou no semblante da pessoa amada que, em meio a um sono agitado, subitamente se acalma e repousa. São muitas possibilidades incomuns, é preciso estar-se atento.

E, claro, ela frequenta, embora não sempre tão assídua, as manifestações da Arte. Das artes, tantas quantas possam existir. Compartilho uma delas, que me enlevou pelos minutos todos que a execução leva: a interpretação, transcendente, de Hélène Grimaud (1969-), da transcrição para piano de Ferrucio Busoni (1866-1924) da Chaconne da Partita para Violino nº 2, em Ré menor, índice BWV 1004, de Johann Sebastian Bach (1685-1750).

Imperador

Considero primorosas quase todas as obras de Ludwig van Beethoven, mas o 5º Concerto para Piano e Orquestra, apelidado “Imperador”, é dos que me parece ocuparem o nicho superior reservado às suas obras gloriosas. São cerca de 40 minutos que demandam entrega e atenção de quem ouve, em troca de uma recompensa de beleza indescritível.

Ainda tento

Periodicamente, ainda tento escrever algo, mas não acho fácil. A mente tem muitas palavras que surgem, passam fugazmente pela consciência e desaparecem sabe-se lá onde. Nessa passagem repentina, quais escolher. O que dizer?

Olho para o mundo, para as pessoas, para suas criações e destruições, e vejo tantas coisas que despertam meus impulsos de crítica, que o cansaço toma conta de mim antes mesmo de eu começar.

Olho para dentro de mim, e vejo sempre mais descrenças do que crenças, sempre mais dúvidas do que certezas, de modo que me é difícil articular sobre isso.

Mas algo me ocorre agora, talvez seja válido exprimi-lo. Até por ser algo positivo. Que esse cenário interno a que me referi – “sempre mais descrenças do que crenças, sempre mais dúvidas do que certezas” – não me aflige como poderia parecer. Por clichê que se tenha tornado o socrático “só sei que nada sei”, existe um caminho de paz por meio dele… Acho que o encontro sempre quando o amontoado de dúvidas e possibilidades pesa tanto sobre si mesmo que forma uma superfície sólida o suficiente para nela caminhar quando preciso, e repousar quando possível.

É possível ficar em paz com o sentimento de que sabemos muitas coisas, e ignoramos muitas mais, quando realmente, no fundo da alma, e não apenas enunciando um juízo racional, dispensamo-nos do vir-a-saber tudo o que ignoramos. Deixamos de lutar contra nossa própria ignorância e simplesmente paramos e abrimos as janelas da alma, para que entre a luz que cada dia queira nos oferecer. E nós a teremos, observando essas janelas abertas: dura, crispada e calcinante nos dias de céu limpo, ou diáfana e difusa, nos dias nublados. Mas não a teremos nunca, como poderíamos sonhar, iluminando ali onde nossas próprias paredes se fecham sobre si mesmas, criando recintos de eterna penumbra, onde a pouca luz que chegar virá exausta, um resto de si mesma, depois de esbater-se refletida em tantas superfícies casualmente dispostas.

O que não enxergamos fora de nós está entre nossos olhos e nossos obstáculos. O que não enxergamos dentro de nós está entre nossos obstáculos e a luz. Remover as anteparas que toldam, que obscurecem, é, sim, a tarefa do dia, quando esse não ver, não saber, estiver a por-nos em perigo ou aflição.

Mas às vezes, pode ser também, que valha mais aceitar a incompletude do horizonte, e a existência de espaços escuros entre nós. Para que possamos nos abrigar sob o teto de nós mesmos, para que possamos nos aconchegar entre nossas próprias paredes, e contemplar as paisagens das janelas que escolhemos abrir.

Beleza lenta

Dentre as formas mais comuns da música erudita, a Sinfonia e o Concerto têm em comum, ao menos em sua formatação tradicional, a existência de um movimento lento, no qual o compositor pode demonstrar sua expressividade e sensibilidade, em contraste com os movimentos rápidos, onde as habilidades orquestrais do compositor e técnicas do intérprete são mais notáveis.
Embora eu admire e ache muito belas muitas composições eruditas, confesso que sempre aguardo com uma expectativa a mais pelo segundo dos três movimentos que geralmente compõem um Concerto, ou pelo terceiro dos quatro de que geralmente se formam as Sinfonias, pois alguns deles são realmente das maiores belezas que eu já fui capaz de ver na arte musical.
Estes são três de meus favoritos:

Beethoven, Ludwig van
Concerto para Piano nº 5 em Mi bemol maior “Imperador”, Op. 73.
II. Adagio un poco mosso

Beethoven, Ludwig van
Sinfonia nº 9 em Ré menor “Coral”, Op. 125.
III. Adagio molto e cantabile

Dvořák, Antonín Leopold
Concerto para Violoncelo em Si menor, Op. 104.
II. Adagio

… e nada me faltará…

Exceto, claro, a vida. O bater do coração, o pulsar da mente, o (nem sempre) silencioso labor de todos os órgãos e tecidos, fazendo e desfazendo, a cada segundo.

Tudo isto falta-nos ao morrermos, e mais. Estamos findos, história contada e encerrada. Sujeita a revisitas e revisões, claro, mas contada. Sem páginas em branco ainda por preencher, sem a surpresa de próximos capítulos.

Finda a parceria de todos os elementos que se reuniram fortuitamente para constituir-nos, estão todos livres, quantidades de matéria e de energia, para irem compor outros agregados, fazer outras histórias, cristalizar em outras joias, ou fluir em outras torrentes, ou desvanecer-se em outros vapores.

Restarão, sim, as consequências, sobre o que ficou, daquilo que foi feito por aqueles que éramos nós, as decorrências, as marcas, as lembranças de outros, até que estes se desagreguem também. Até que tudo reste indistinguível, no meio dos novos seres.

Por que, já não fomos, também nós, novos seres? E, ainda assim, feitos de pedaços de coisas muito antigas, fomos, desde o início, consequências de consequências de consequências de que jamais teremos ciência ou notícia.

Imortal é aquilo de que somos feitos. Imortal é o palco em que encenamos nossas histórias. Imortal é a trama do tempo que nos enreda, que se desenrola à nossa volta, que nos atira longe, qual pedra pela funda que gira. Imortal é a tessitura do universo em que existimos, que é feita de nós e de tudo o mais que existe, e ao mesmo tempo segue indiferente a cada uma dessas coisas, que surgem e se desfazem continuamente.

Não existe, para mim, fórmula a ser recitada, alma a ser encomendada a divindades que precisem ser apaziguadas ou aliciadas por um bom repouso eterno, por um bom retorno à existência, ou o que quer que seja.

Existe, sim, claro, o sofrimento de quem fica e se ressente da falta, porque vive, e ama a vida, e ama-a na vida do outro, e sabe que aquele que era – por mais histórias diversas que se possa contar a si mesmo e aos outros – não é mais. Porque o que é real em cada um sabe sempre da realidade de todo o resto, com um saber profundo e silencioso, que não cabe em palavras.

Esse sofrimento é real, existe, e deve ser honrado, acolhido, respeitado.

O pranto da vida, diante da morte, é a chama da vida em tudo o que vive, e pulsa, e deseja, e procede no sentido de que haja vida. Onde nunca houve vida. Onde já houve vida, mas já não há. Onde ainda há, mesmo muita, que se pode transformar.

A vida não pode vencer a morte. Não pode se apegar a si mesma. Não adianta. Mas a morte não pode vencer a vida, não pode suprimir isso que pulsa, em cada fibra e em cada horizonte do universo, que anela por existir e acender sua chama.

Que todo aquele que vive respeite e aceite a morte, mas honre antes de tudo a vida, pelo que pode escolher naquilo que constitui seu agir e não agir, naquilo tudo que sua vida faz pulsar, mudar, existir e cessar no mundo. Que essa seja sua oração, sua fé, seu rito.

E nada lhe faltará.

Ausente

Ausente deste blog, não sem sentimento de culpa, estou por aí. Muito trabalho toma-me o tempo, muito calor toma-me a disposição. Em meu entorno, o mundo gira (“e a Lusitana roda”) e coisas seguem acontecendo, boas e ruins, certamente, meu olhar distímico enfatizando as ruins, para meu próprio desespero. Impressões sobre elas? Tenho-as, claro, mas nada que por tão extraordinário valha a pena compartilhar. E tento praticar o filtro contra impressões de que a negatividade seja o traço dominante.

Sobre rolezinhos: shopping-centers são espaços públicos encerrados em prédios, com um limite prático de lotação além do qual torna-se impossível proteger as pessoas que nele circulam e os bens que nele se vendem das ações ilegais e danosas de um grupo de, digamos, dez malfeitores, ainda que as outras duas mil pessoas sejam perfeitamente bem-intencionadas. Isto dito, o bom senso ordenaria que os proprietários dos shoppings e as pessoas que desejam frequentá-los negociassem em torno de uma limitação para a dimensão dos encontros coletivos, em prol da segurança e do bem-estar de todos. Só isso. Todo o resto é fascismo, preconceito racial e social, histeria coletiva e pretexto para comunicadores sem-noção ficarem propagando bobagens.

Sobre o beijo (recuso-me a rotulá-lo): foi bonito, apesar de mais comedido que a média dos beijos novelísticos. Na minha rua houve gritaria comemorativa como se um time popular houvesse marcado um gol. Achei bonito, achei necessário, fiquei feliz.

Hmm, que mais? Descobri uma peça bonita que não conhecia, o Concerto para Harpa em Lá maior, de Karl Ditters von Dittersdorf:

Enfim, por enquanto é isso.

Leaving on a Jet Plane

(com John Denver e “Mama” Cass Elliot)

All my bags are packed
I’m ready to go
I’m standing here outside your door
I hate to wake you up to say goodbye
But the dawn is breaking, it’s early morn’
the taxi ‘s waiting, he’s blowing his horn,
Already I’m so lonesome I could die
So kiss me and smile for me
tell me that you’ll wait for me
hold me like you’ll never let me go
‘Cause I’m leaving on a jetplane,
don’t know when I’ll be back again,
oh babe I hate to go
I hate to go…
There’s so many times I’ve let you down
so many times I’ve played around
but now you know that they don’t mean a thing
Every place I go, I’ll think of you
Every song I sing, I’ll sing for you
When I come back I’ll wear your weddingring
So kiss me and smile for me
tell me that you’ll wait for me
hold me like you’ll never let me go
I’m leaving on a jetplane
don’t know when I’ll be back again
Oh babe, I hate to go
I hate to go…
Now the time has come to leave you
one more time, let me kiss you
close your eyes and I’ll be on my way
Dream about the days to come
when I won’t have to leave alone,
about the times when I won’t have to say…
So kiss me and smile for me
tell me that you’ll wait for me
hold me like you’ll never let me go
I’m leaving on a jetplane,
don’t know when I’ll be back again,
oh babe I hate to go
I hate to go…
Todas as minhas malas estão feitas,
Estou pronto para ir
Estou aqui de pé, do lado de fora da sua porta
Detesto ter que te acordar para dizer adeus
Mas o dia está amanhecendo, já está claro
O táxi está esperando, ele está buzinando
Já me sinto tão só que poderia morrer
Então me beije e sorria para mim
Diga-me que você irá esperar por mim
Abrace-me como se você nunca fosse me deixar ir
Porque eu estou partindo num avião a jato
Não sei quando eu estarei de volta novamente
Oh meu bem, eu odeio ir
Eu odeio ir
Houve tantas vezes em que te deixei pra baixo
Tantas vezes em que eu brinquei com você
Mas agora você sabe que elas não significaram nada
Todo lugar que eu for, vou pensar em você
Toda música que eu cantar, cantarei para você
Quando eu voltar, eu usarei o seu anel de casamento
Então me beije e sorria para mim
Diga-me que você irá esperar por mim
Abrace-me como se você nunca fosse me deixar ir
Porque eu estou partindo num avião a jato
Não sei quando eu estarei de volta novamente
Oh meu bem, eu odeio ir
Eu odeio ir
Agora veio o tempo em que eu terei que te deixar
Mais uma vez, deixe-me beijar você
E feche os seus olhos e eu estarei no meu caminho
Sonhe com os dias que virão
Quando eu não terei que te deixar sozinho
Com as vezes em que eu não terei que dizer…
Então me beije e sorria para mim
Diga-me que você irá esperar por mim
Abrace-me como se você nunca fosse me deixar ir
Porque eu estou partindo num avião a jato
Não sei quando eu estarei de volta novamente
Oh meu bem, eu odeio ir
Eu odeio ir

It’s getting better


(“Mama” Cass Elliott)

Once I believed that when love came to me
It would come with rockets, bells and poetry
But with me and you it just started quietly and grew
And believe it or not
Now there’s something groovy and good
About whatever we got

And it’s getting better
Growing stronger, warm and wilder
Getting better everyday, better everyday

I don’t feel all turned on and starry-eyed
I just feel a sweet contentment deep inside
Holding you at night just seems kind of natural and right
And it’s not hard to see
That it isn’t half of what it’s gonna turn out to be

Cause it’s getting better
Growing stronger, warm and wilder
Getting better everyday, better everyday

Ba da da da da da da da da da da da

And I don’t mind waitin’, I don’t mind waitin’
‘Cause no matter how long it takes
The two of us know

That it’s getting better
Growing stronger, warm and wilder
Getting better everyday, better everyday

Getting better everyday (7x)

Uma vez pensei que quando o amor chegasse
Ele viria com fogos, sinos e poesia
Mas entre eu e você, começou quieto e cresceu
E acredite ou não
Agora há algo especial e bom
A respeito do que quer que tenhamos

E está ficando melhor
Ficando mais forte, aconchegante e festivo
Ficando melhor todo dia, melhor a cada dia

Não me sinto todo aceso, de olhos esbugalhados
Só sinto um doce contentamento bem lá no fundo
Abraçar você à noite parece bem natural e certo
E não é difícil de ver
Que isso ainda não é metade do que virá a ser

Porque está ficando melhor
Ficando mais forte, aconchegante e festivo
Ficando melhor todo dia, melhor a cada dia

Ba da da da da da da da da da da da

E eu não ligo de esperar, não ligo de esperar
Porque não importa o quanto demore
Nós dois sabemos

Que está ficando melhor
Ficando mais forte, aconchegante e festivo
Ficando melhor todo dia, melhor a cada dia

Ficando melhor a cada dia (7x)

Cent Mille Chansons


(Frida Boccara)

Il y aura cent mille chansons
Quand viendra le temps des cent mille saisons
Cent mille amoureux
Pareils à nous deux
Dans le lit tout bleu de la terre

Cent mille chansons rien qu’à nous
Cent mille horizons devant nous
Partagés de bonheur
Tout étalé de nos coeurs

Et des châteaux insensés
Et des bateaux étoilés
Et des étoiles oubliées
Et tes yeux et mes yeux
Dans un océan d’amour

Il y aura cent mille chansons
Quand viendra le temps des cent mille saisons
Cent mille maisons
Gravées à ton nom
Parmi les moissons de la terre

Cent mille chansons rien qu’à nous
Cent mille horizons devant nous
Partagés de bonheur
Tout étalé de nos coeurs

Et des pays reconnus
Et des forêts éperdues
Et des chagrins défendus
Et tes yeux et mes yeux
Dans un océan d’amour

Haverá cem mil canções
Quando vier o tempo de cem mil estações
Cem mil amantes
Assim como nós dois
No leito todo azul da terra

Cem mil canções apenas para nós
Cem mil horizontes diante de nós
Compartilhando a felicidade
Espalhada por nossos corações

E castelos loucos
E barcos estrelados
E estrelas esquecidas
E teus olhos e meus olhos
Num oceano de amor

Haverá cem mil canções
Quando vier o tempo de cem mil estações
Cem mil casarios
Esculpidos com teu nome
Em meio às colheitas da terra

Cem mil canções apenas para nós
Cem mil horizontes diante de nós
Compartilhando a felicidade
Espalhada por nossos corações

E países reconhecidos
E florestas desaparecidas
E tristezas proibidas
E teus olhos e meus olhos
Num oceano de amor


(Maysa)

The Logical Song

When I was young
It seemed that life was so wonderful
A miracle, oh it was beautiful, magical
And all the birds in the trees
Well they’d be singing so happily
Oh joyfully, oh playfully watching me

But then they sent me away
To teach me how to be sensible
Logical, oh responsible, practical
And they showed me a world
Where I could be so dependable
Oh clinical, oh intellectual, cynical

There are times when all the world’s asleep
The questions run too deep
For such a simple man
Won’t you please, please tell me what we’ve learned
I know it sounds absurd
But please tell me who I am

Now watch what you say
Or they’ll be calling you a radical
A liberal, oh fanatical, criminal
Oh won’t you sign up your name
We’d like to feel you’re
Acceptable, respectable, oh presentable, a vegetable

At night when all the world’s asleep
The questions run soo deep
For such a simple man
Won’t you please, please tell me what we’ve learned
I know it sounds absurd
But please tell me who I am,
who I am, who I am, who I am

Quando eu era jovem
parecia que a vida era tão maravilhosa
um milagre, ah, era bonita, mágica
E os pássaros nas árvores
Bem, eles cantavam tão felizes
Alegres e brincalhões, olhando para mim

Mas então eles me mandaram embora
Para ensinar-me como ser sensato
Lógico, oh, responsável, prático
E eles me mostraram um mundo
onde eu poderia ser tão confiável
oh, analítico, oh, intelectual, cínico

Há momentos, quando todo o mundo dorme
As questões se aprofundam demais
Para um homem tão simples
Você não vai, por favor, dizer-me o que aprendemos
Eu sei que parece absurdo
Mas, por favor, me diga quem sou eu

Mas tome cuidado com o que você diz
ou te chamarão de radical
um liberal, oh, fanático, criminoso
oh, você não vai assinar seu nome
nós gostaríamos de sentir que você é
aceitável, respeitável, oh, apresentável, um vegetal

À Noite, quando todo o mundo dorme
As questões se aprofundam demais
Para um homem tão simples
Você não vai, por favor, dizer-me o que aprendemos
Eu sei que parece absurdo
Mas, por favor, me diga quem sou eu,
quem sou eu, quem sou eu

Para alegrar um pouquinho…

“Downtown”, com Petula Clark (1964)

 

Je t’aime avec ma peau


Mireille Mathieu

La liberté c’était ma vie
C’était aussi ma solitude.
On s’est aimés je t’ai suivi
J’ai partagé tes habitudes.

C’est difficile un grand amour
Il y a des heures d’incertitude.
La jalousie nous tourne autour
Et j’ai perdu ma solitude.

Je t’aime avec mon cœur
Je t’aime avec ma peau
Je t’aime avec ma peur
C’est vrai, je t’aime trop.

Je t’aime avec ma peine
Cachée au fond de moi
Je t’aime avec ma haine
Qu’un jour tu connaîtras

Je t’aime avec mon cœur
Je t’aime avec ma peau
Je t’aime avec ma peur
C’est vrai je t’aime trop

Le diable et le Bon Dieu
Peuvent dormir tranquilles
L’enfer c’est d’être deux
Et le ciel est fragile

Toi le bonheur t’ennuie déjà
Tu veux gagner d’autres batailles
Tu es déjà trop sûr de moi
L’amour n’est rien qu’un feu de paille.

Tes yeux sont gris quand tu t’ennuie
Tu me regardes avec tendresse
Mais je dors seule avec la nuit
Et j’ai besoin de tes caresses

A liberdade, essa era minha vida,
Essa era também minha solidão.
Fizemos amor, eu te segui,
Compartilhei dos seus costumes.

Um grande amor é difícil,
Tem horas de incerteza.
O ciúme transforma nosso entorno,
E minha solidão está perdida.

Te amo com meu coração
Te amo com minha pele
Te amo com meu medo
Verdade, te amo demais.

Te amo com minha dor
Escondida no fundo de mim
Te amo com meu ódio
Que um dia você conhecerá.

Te amo com meu coração
Te amo com minha pele
Te amo com meu medo
Verdade, te amo demais.

O diabo e o bom Deus
podem dormir tranquilos,
o inferno é sermos dois,
e o céu é efêmero.

Você já se cansou da felicidade
Você quer ganhar outras batalhas
Você já está muito seguro de mim
O amor não é mais que um fogo de palha

Seus olhos ficam cinzas ao se aborrecer
Você me fita com ternura
Mas eu durmo só quando a noite chega
E eu tenho necessidade de teus carinhos.

Junto ao mar (Δίπλα στη θάλασσα)

Será que ainda estamos muito longe do dia em que todas as línguas do mundo estarão ao nosso alcance? Claro, o que os tradutores atuais já fazem parece mágica, se pensarmos nos poucos anos atrás quando ainda não existiam. Mesmo assim, às vezes é frustrante que, tocados por uma bela música, não possamos apreciar a letra, certamente tanto assim bela. Resta-nos apenas a singular sonoridade do idioma helênico, na voz incomparável de Maria Farantouri.

Original em grego:

Στίχοι: Κώστας Καρτελιάς
Μουσική: Μίκης Θεοδωράκης
Πρώτη εκτέλεση: Μαρία Φαραντούρη

Δίπλα στη θάλασσα θα μείνω για να ανοίξω
έναν ορίζοντα στο βάθος της ψυχής
και μια φωτιά μέσα στο στήθος μου θα κλείσω
για να ‘χω ένα σημάδι επιστροφής
σε μιαν Ιθάκη που θα πρέπει να γυρίσω
μ’ ένα ταξίδι μιας ολόκληρης ζωής.

Τρομάζω την οργή του Ποσειδώνα
φοβάμαι των ανέμων το θυμό
κρυώνω μοναχός μεσ’ το χειμώνα
μα σ’ αγαπώ κι έχω από κάπου να πιαστώ.

Ένα σεντόνι να κεντήσεις να το στρώσεις
όταν γυρίσω να ξαπλώσουμε μαζί.
Μ’ ένα σου βλέμμα ότι πέρασα να νιώσεις
να ημερέψει η αγριάδα στην ψυχή
Κι αν κοιμηθώ, την αγκαλιά σου να μου δώσεις
Μη με ρωτάς, δεν έχουν τέλος ούτε αρχή.

Tradução automática (permite apenas ter uma vaga idéia do que se trata):

Letras: Kostas guia
Música: Mikis Theodorakis
Estreia: Maria Farantouri

Waterfront para ficar aberto
um horizonte, a uma profundidade de alma
e um fogo no meu peito vai fechar
porque, se eu voltar um sinal
numa Ithaca que devem ir
com uma viagem de uma vida.

Assustando a ira de Poseidon
Eu temo a fúria dos ventos
Inverno frio monge EEM ”
Mas eu amo você e eu temos um lugar para se apoiar.

Um cobertor pode ser casacos bordados
quando eu começar a deitar juntos.
Com um olhar que eu tinha que sentir
imerepsei para a selvageria em sua alma
E se você dorme, seu abraço me dar
Não me pergunte, sem fim ou começo.

Bom de ouvir

Gustav Holst, Op. 32, “Os Planetas”. 4º Movimento, “Jupiter, portador da alegria”. Regente: Seiji Ozawa.

Onde foram parar as flores?

Sag mir, wo die Blumen sind ou, em inglês originalmente, Where Have All the Flowers Gone, é uma das mais conhecidas cações anti-guerra. Foi escrita em 1955 pelo compositor estadunidense Pete Seeger.

Sag mir wo die Blumen sind,
wo sind sie geblieben?
Sag mir wo die Blumen sind,
was ist geschehen?
Sag mir wo die Blumen sind.
Mädchen pflückten sie geschwind.
Wann wird man je verstehen,
wann wird man je verstehen?

Sag mir wo die Mädchen sind,
wo sind sie geblieben?
Sag mir wo die Mädchen sind,
was ist geschehen?
Sag mir wo die Mädchen sind,
Männer nahmen sie geschwind.
Wann wird man je verstehen?
Wann wird man je verstehen?

Sag mir wo die Männer sind
wo sind sie geblieben?
Sag mir wo die Männer sind,
was ist geschehen?
Sag mir wo die Männer sind.
Zogen fort, der Krieg beginnt.
Wann wird man je verstehen?
Wann wird man je verstehen?

Sag wo die Soldaten sind,
wo sind sie geblieben?
Sag wo die Soldaten sind,
was ist geschehen?
Sag wo die Soldaten sind.
Über Gräben weht der Wind
Wann wird man je verstehen?
Wann wird man je verstehen?

Sag mir wo die Gräber sind,
wo sind sie geblieben?
Sag mir wo die Gräber sind,
was ist geschehen?
Sag mir wo die Gräber sind.
Blumen blüh’n im Sommerwind.
Wann wird man je verstehen?
Wann wird man je verstehen?

Sag mir wo die Blumen sind,
wo sind sie geblieben?
Sag mir wo die Blumen sind,
was ist geschehen?
Sag mir wo die Blumen sind,
Mädchen pflückten sie geschwind.
Wann wird man je verstehen?
Wann wird man je verstehen?

Diga-me onde estão as flores,
onde elas foram parar?
Diga-me onde estão as flores,
o que aconteceu?
Diga-me onde estão as flores.
As moças as colheram depressa.
Quando a gente vai entender,
quando a gente vai entender?

Diga-me onde estão as moças,
onde elas foram parar?
Diga-me onde estão as moças,
o que aconteceu?
Diga-me onde estão as moças,
Os homens as levaram depressa.
Quando a gente vai entender,
quando a gente vai entender?

Diga-me onde estão os homens,
onde eles foram parar?
Diga-me onde estão os homens,
o que aconteceu?
Diga-me onde estão os homens.
para longe, a guerra começou.
Quando a gente vai entender,
quando a gente vai entender?

Diga-me onde os soldados estão
onde eles foram parar?
Diga-me onde os soldados estão
o que aconteceu?
Diga-me onde os soldados estão.
Sobre as sepulturas sopra o vento.
Quando a gente vai entender,
quando a gente vai entender?

Diga-me onde estão as sepulturas,
onde estão eles?
Diga-me onde estão as sepulturas,
o que aconteceu?
Diga-me onde estão as sepulturas.
Flores desabrocham à brisa de verão.
Quando a gente vai entender,
quando a gente vai entender?

Diga-me onde estão as flores,
onde elas forarm parar?
Diga-me onde estão as flores,
o que aconteceu?
Diga-me onde estão as flores.
As moças as colheram depressa.
Quando a gente vai entender,
quando a gente vai entender?